Divaga voz, outra coisa, senão, anima; eleva-me torpor carinhoso como um comprimido de anfetamina; traça no largo espaço do meu corpo uma alegria úmida; toma-me como a detenho, suavemente derramada por um sentimento simples num veio quente; faça-se sólida quando se é única; faça-se leve a quem lhe quer por não tê-la; e para quem aturdido em sua existência parca, faça-se lúcida; faça-se límpida num dia insípido; faça-se lépida para um gosto lúpulo; faça-se sossego para um pensamento mórbido; ao ouvi-la me quero sentir livre ao me sentir recluso; ao ouvi-la me tenho como se nada me faltasse, e nada me falta se nada possuo; se possuísse, seria a falta de se errar infalivelmente; mas erro meu ser continuamente e nada valho; ao ouvi-la furto-me dos quebrantos, farto-me em decantos, cuido-me em esperanças e uma felicidadezinha começa a povoar-me; mais que a necessidade de me sentir esperançoso é a necessidade de me sentir feliz, mesmo que momentaneamente; e muito me tenho comedido ao tentar desvencilhar felicidade e esperança; no todo, eu arrisco, e por me arriscar em meu comedimento, ao querer o acerto, imediatamente falho; talvez por isso me sinta birrento, insistente, teimoso, aborrecido, zangado, mal-humorado, rabugento, impertinente; mas ao senti-la, foge-me o discernimento, toma-me em arrebatamento o surto e espaço-me em não cabimento, e rio o meu erro para não me rir a desgraça; quando inseguro, penso apenas em me sentir feliz e me sinto esperançoso; quando feliz, penso apenas o momento, expurgo a esperança, e sagaz, encho-me de um ar puro e brado a felicidade, brindo à felicidade; porém, diante desta vida, e a todo momento algo irresponsável consumado, sinto a austeridade acerbada conluia à sagacidade, minha sagacidade; inevitavelmente, de forma violenta toma-me o desespero; ainda assim, divaga voz, ao senti-la tudo se enobrece, ao senti-la meu corpo enternece e, sentindo-a mais e mais, e cada vez mais sentindo-a e sentindo-a, ah! Não me caibo de tanta felicidade; a verossimilidade entre o que sinto e o que penso manifesta-se em mim numa felicidade incontida; e rio a todos indiscriminadamente, rio a todos como se eu... imagina.... divagasse; não, estou lúcido neste mundo qual nenhum mito o criou.
*
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Restava do homem que foi a carne diluída.
Dango caminhava pelo jardim da praça catando uns tocos de cigarro.
Zé Olimpo retirava do assoalho do coreto suas ferramentas.
Padre Napoleão, fumando seu charuto, olhava a diante o movimento das beatas.
Milton Rodrigues, em seu Landau azul-marinho, descia da Rua Nova a noite mal dormida.
João Floresta tomava sol na barriga enquanto mastigava um pedaço de pão doce à porta de sua casa.
Zé Pio arrumava sua boina xadrez.
Antônio Queiroz descia a rampa de sua casa arrastando a manhã.
Zé Rubim servia o café para seus hóspedes.
Dango dava voltas e mais voltas ininterruptamente na calçada do jardim e entorno da igreja.
Padre Napoleão começou a missa com seis beatas velhas, seis futuras beatas, um sacristão afeminado, um pecador desorientado e uma menina aturdida.
O Landau buzinou para João Floresta, que por sua vez estendeu o braço em retorno cumprimento e se deteve diante da casa de Antônio Queiroz para trocar umas meia palavras.
Zé Pio, assentado no seu balcão, debitava os pães diários de Marilú em sua caderneta mensal.
Zé Olimpo começava a limpar o jardim da praça.
A charrete de Diolino abria a praça com seu estridente estalas de ferraduras.
Mário Carroceiro entregava os botijões cheios, leva consigo os vazios.
Lentamente começa o dia e Dango continuava a divagar a praça central.
José Eduardo abria as portas do correio no antigo prédio da prefeitura.
Alberto Zaidan ligava a máquina de limpar arroz.
Toledo caminhava em direção ao Fórum.
Dona Tita benzia o tornozelo inchado de Zé Moreira.
Jair, o poeta, amolava sua tesoura.
Dango caminhava o tempo de uma praça inteiriça, larga, longa.
Do Pássaro Verde desceu a gente que vinha do Bom Jardim.
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O orvalho molhava as canelas do homem que carpia a roça de feijão.
O chapéu de Zé Lupim escondia sua cabeça calva.
João afinava as cordas do bandolim.
Uma vaca varou o aramado e comia espigas de milho.
Uma novilha escorregou seu mocotó e esfolou o barranco.
Uma galinha acomodava seus ovos.
Um anu branco comia carrapatos.
Um cão latia.
*
Dango, fatigado das voltas dadas em torno do jardim da praça, descansa num banco dela, assenta nela, vive ela, imagem remota e solene. A imagem ultrapassa a palavra, a palavra ultrapassa a imagem, se Dango não existisse, seria inventado. Encho minha boca de maçanzinhas colhidas no círculo central da praça, o jardineiro não admite tal interferência humana, lança-se com fúria em minha direção, marca minha perna com uma chibatada, xingo-o, crianças sabem de coisas horríveis; dizem-nas apenas quando necessário. Subo na bicicleta e corro para a praça da igreja; Gustavo havia morrido a poucos dias, a saudade, atual. Era sempre alguém disposto a brincadeiras. Estava eu sozinho, perambulei pela rua da prefeitura, e ali estavam Juju, Arthur e Fabim, e melhor, com eles uma bola dente-de-leite. Subimos para a Rua Nova jogar uma peladinha no campim da igrejinha; quando se tem colegas em uma cidade tranquila, crianças são como cães vagabundos, correm, brincam, dormem, comem em plena rua; senti-me feliz quando os vi, e eles pareciam felizes como eu; a felicidade é parte viva de mim, acordo cantante constantemente, mesmo assoviando um samba triste; mesmo se for um samba-canção estou feliz; divaga a memória da minha gente nas páginas da história; minha gente conto nos dedos quantos são, repetem-se nas roupas e nos hábitos, nas falas e nos gestos; consigo, pela correria que imprimo ao jogo, segurar todos os atacantes contra e dar meu fôlego ao jogo, nasci para correr atrás de uma bola; claro que muito aquém de ícones da cidade que faziam a bola correr e não precisavam correr, talvez eu conseguiria alçar-me ao título de menestrel dos desarmes, mas o tempo foi pouco para mim num campo de futebol na cidade que nasci; Dango foi nos ver jogar bola, Dango aparecia em todos os lugares, vagavam sem rumo suas pernas, divagam assim também o pensamento; Dango rezava pra Nossa Senhora, que pedia? Para mim homens livres têm tudo, não necessitam nada; caso pessoal, segundo o Padre Boca de Charuto, os pecados por assistir tv, desobedecer mãe e masturbar-se aparecem na ficha de pecados com a receita de Ave Maria e Padre Nosso; para voltar a ser benzido pelas mãos fedorentas do Padre Boca de Charuto devíamos intimamente delatar-nos em confissão; e eu me pergunto inda hoje, por qual motivo precisamos dizer a alguém o que fazemos no nosso íntimo; envergonhados, encolhidos, a voz variada, trêmula, oprimida; por qual motivo nos oprimirmos diante a natureza íntima de nossa vontade, desejo, amor; quem, dentre nós, detém o poder de julgar a minha intimidade e dizer que por praticá-la devo pagar em Padre Nosso uns dez, isso se for eu homem, se for eu mulher a conversa é com Nossa Senhora umas dez Ave Marias, tudo isso por eu me achar bela diante o espelho; corre em vício tais punições, uma vez que, a punição por punição leva o oprimido a um descontrole, a uma desordem; entendo que a punição não é interesse do homem contemporaneo, acredito que o homem contemporaneo pensa o mundo a partir de algo maior do que pensa um qualquer deus descrito numa ladainha peregrina; pecado por pecado eu dizia ao Padre apenas as coisas corriqueiras, coisas comuns a crianças; Dango passava pelo jardim catando tocos de cigarros, eu ria até; a opressão é forte parte da cultura romana, qualquer livreto de história conta, ressalta, a força opressora com a qual Roma, por meio da sua Católica Apostólica Romana, irraizada na palavra de um testamento antigo e obsoleto, caduto de velho, opressor, machista, tratou e ainda trata gente simples, gente que recebe salário baixo, que tem pouca oportunidade de estudar, fudamentar opinões – ter opinião custa estudo e estudo é caro num país que prefere a oligarquia da palavra sacramentada num livro rançoso, coberto por morais machistas, mitos decadentes,preconceituoso; é preferível o conhecimento desta cultura forjada ao social livre, à cultura livre, à livre criação de si a partir do que se busca, a partir que se forja para si próprio, sem a opressão cristã; por que o filho da puta do Papa não vende o palácio em que vive para salvar os famintos da África? Não, não! É preferivel rezar, com certeza ele tem razão, rezar matará a fome de gente colonizada pela igreja, e pelos métodos cristãos (desculpem-me o excesso de palavrões, mas as palavras saem sem meu consentimento); por que o Papa não se muda para uma casa simples, e passa a comer o que prega a sua bíblia, o pão e a água, o alimento excasso, que é o que a maioria come no mundo, e se ele for muito crente nas palavras fará da água vinho, ou ao menos, beberá água e pensará que é vinho, multiplicará os pães e não precisará de fortunas vindas de vários paises confortantes a ele; Dango dizia isso durante as voltas em que dava, eu não entendia nada;
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Dango, fatigado das voltas dadas em torno do jardim da praça, descansa num banco dela, assenta nela, vive ela, imagem remota e solene. A imagem ultrapassa a palavra, a palavra ultrapassa a imagem, se Dango não existisse, seria inventado. Encho minha boca de maçanzinhas colhidas no círculo central da praça, o jardineiro não admite tal interferência humana, lança-se com fúria em minha direção, marca minha perna com uma chibatada, xingo-o, crianças sabem de coisas horríveis; dizem-nas apenas quando necessário. Subo na bicicleta e corro para a praça da igreja; Gustavo havia morrido a poucos dias, a saudade, atual. Era sempre alguém disposto a brincadeiras. Estava eu sozinho, perambulei pela rua da prefeitura, e ali estavam Juju, Arthur e Fabim, e melhor, com eles uma bola dente-de-leite. Subimos para a Rua Nova jogar uma peladinha no campim da igrejinha; quando se tem colegas em uma cidade tranquila, crianças são como cães vagabundos, correm, brincam, dormem, comem em plena rua; senti-me feliz quando os vi, e eles pareciam felizes como eu; a felicidade é parte viva de mim, acordo cantante constantemente, mesmo assoviando um samba triste; mesmo se for um samba-canção estou feliz; divaga a memória da minha gente nas páginas da história; minha gente conto nos dedos quantos são, repetem-se nas roupas e nos hábitos, nas falas e nos gestos; consigo, pela correria que imprimo ao jogo, segurar todos os atacantes contra e dar meu fôlego ao jogo, nasci para correr atrás de uma bola; claro que muito aquém de ícones da cidade que faziam a bola correr e não precisavam correr, talvez eu conseguiria alçar-me ao título de menestrel dos desarmes, mas o tempo foi pouco para mim num campo de futebol na cidade que nasci; Dango foi nos ver jogar bola, Dango aparecia em todos os lugares, vagavam sem rumo suas pernas, divagam assim também o pensamento; Dango rezava pra Nossa Senhora, que pedia? Para mim homens livres têm tudo, não necessitam nada; caso pessoal, segundo o Padre Boca de Charuto, os pecados por assistir tv, desobedecer mãe e masturbar-se aparecem na ficha de pecados com a receita de Ave Maria e Padre Nosso; para voltar a ser benzido pelas mãos fedorentas do Padre Boca de Charuto devíamos intimamente delatar-nos em confissão; e eu me pergunto inda hoje, por qual motivo precisamos dizer a alguém o que fazemos no nosso íntimo; envergonhados, encolhidos, a voz variada, trêmula, oprimida; por qual motivo nos oprimirmos diante a natureza íntima de nossa vontade, desejo, amor; quem, dentre nós, detém o poder de julgar a minha intimidade e dizer que por praticá-la devo pagar em Padre Nosso uns dez, isso se for eu homem, se for eu mulher a conversa é com Nossa Senhora umas dez Ave Marias, tudo isso por eu me achar bela diante o espelho; corre em vício tais punições, uma vez que, a punição por punição leva o oprimido a um descontrole, a uma desordem; entendo que a punição não é interesse do homem contemporaneo, acredito que o homem contemporaneo pensa o mundo a partir de algo maior do que pensa um qualquer deus descrito numa ladainha peregrina; pecado por pecado eu dizia ao Padre apenas as coisas corriqueiras, coisas comuns a crianças; Dango passava pelo jardim catando tocos de cigarros, eu ria até; a opressão é forte parte da cultura romana, qualquer livreto de história conta, ressalta, a força opressora com a qual Roma, por meio da sua Católica Apostólica Romana, irraizada na palavra de um testamento antigo e obsoleto, caduto de velho, opressor, machista, tratou e ainda trata gente simples, gente que recebe salário baixo, que tem pouca oportunidade de estudar, fudamentar opinões – ter opinião custa estudo e estudo é caro num país que prefere a oligarquia da palavra sacramentada num livro rançoso, coberto por morais machistas, mitos decadentes,preconceituoso; é preferível o conhecimento desta cultura forjada ao social livre, à cultura livre, à livre criação de si a partir do que se busca, a partir que se forja para si próprio, sem a opressão cristã; por que o filho da puta do Papa não vende o palácio em que vive para salvar os famintos da África? Não, não! É preferivel rezar, com certeza ele tem razão, rezar matará a fome de gente colonizada pela igreja, e pelos métodos cristãos (desculpem-me o excesso de palavrões, mas as palavras saem sem meu consentimento); por que o Papa não se muda para uma casa simples, e passa a comer o que prega a sua bíblia, o pão e a água, o alimento excasso, que é o que a maioria come no mundo, e se ele for muito crente nas palavras fará da água vinho, ou ao menos, beberá água e pensará que é vinho, multiplicará os pães e não precisará de fortunas vindas de vários paises confortantes a ele; Dango dizia isso durante as voltas em que dava, eu não entendia nada;
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Dango era livre para compreender as curvas da praça; Dango era livre para dizer o que dizia; Dango, quando falava, falava com propriedade arbórea, retirava do chão toda a clarividência de um ser vivente; Dango era feito chão, árvore, vento; Dango era o abismo lírico de qualquer pensamento. A voz reticente da praça não iludia o pensamento sagaz do través mais assíduo; Dango era em si dois pontos em sua menor distância; ou a variação mais brusca deste fenômeno; Dango compunha uma praça viva;
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E não mais me faça vestir a angústia, queria ser apenas sagaz; quantos tenho que ser sem o querer; antes de ver, sinto; sinto mais a falar; ouço mais a falar; vejo mais a falar; falar é secundário em Minas; Minas é qualquer coisa maior do que sinto, Teixeiras é um exemplo disso; meu maior engano foi acreditar nas palavras; subo pra Rua Nova, atravesso os trilhos; em Minas havia trem em Teixeiras; hoje, lembro-me do trem que engoliu uma das pernas do meu avô; destarte, eu preferiria viajar de trem a carro ou ônibus; uma linha de trem de BH a Teixeiras apenas, com um trem apenas para que não haja colisão e mortes, automático/manual para não ocorrer outros imprevistos, ah! faltou uma coisa, com capacidade para levar e trazer todos os meus sentimentos, um trem que vagasse com a alegria de todos os momentos; estou indo em direção ao Primeiro de Janeiro; o Primeiro de Janeiro está cheio neste domingo; e rola a bola! acredito que o ser humano, dada as tecnologias avançadíssimas, poderia utilizar melhor a energia solar, e sabemos que a Terra está cada vez mais quente, sabido isso, poderíamos sim, privilegiar a energia solar para nos abastecer em tudo quanto precisamos, é a energia mais barata, é a energia com o mais fácil armazenamento, não há como negar, mas nada se faz para promovê-la; a Cemig quer deter os direitos de uso da energia solar, o Estado né, mas o sol é de todos, e apenas por isso, para todos; não há como você, ou ele, cobrir o céu com uma lona preta para racionalizar o uso do sol; e a energia que vem da terra, qual de nós tirará dela a luz que a noite não mais encobre; cabe a nós saber usar a natureza sem a forma predadora romana; BH possui a maior porcentagem de usuários da luz solar, ainda que apenas para tornar a água mais quente, serpentinas solares, o que é muito pouco; passa a bola; e como está quente neste campo, mesmo assim, não perderia um jogo em que jogam Jurandir e Luiz Otávio, teixeirenses, gênios da bola, e como bons mineiros interioranos, preferiram a vida calma ao fervor da cidade grande; meus olhos se enchem de alegria, apenas a cerva me distrai a atenção por alguns instantes; aqui me sinto feliz, aqui nasci, aqui se fez o que divaga; hoje, a maior virtude do homem é... ...$000.000$... dinheiro? Se não existe a ressurreição, se não existe o paraíso e se não existe a dívida divina... viver bem esta vida é o que devemos fazer prioritariamente; em sua grande maioria o homem hoje individualiza-se pensando o bem para si apenas; o homem está perdendo a noção do social; a sociologia explica o fenômeno, a antropologia mostra de onde veio a coisa; a filosofia questiona, e até tenta dar uma solução; mas, tudo muito... teórico? questões sociais são mais lentas e sempre serão mais profundas; vasculhar o espaço é questão de poucos; para quantos de nós a lua é apenas um satélite; a educação é fator determinante no pensamento de uma sociedade; quantos temem a inteligência, apenas o opressor; nosso maior problema é a mão de obra despreparada, para não dizer incapacitada, no legislativo e no judiciário; se autointitular vereador, prefeito, deputado, governador, senador, ministério público, tribunal de justiça, oprime a muitos, nossa sociedade ainda vive o regime opressor das forças armadas, da polícia, do guarda; a sociedade poderia colocar qualquer elegível na Presidência e ele deveria fazer o que chamaríamos de heterogenia participativa, a sociedade (todos os brasileiros) elegeria a melhor lei, o melhor decreto... criados pela própria sociedade e apenas adequada à forma, à linguagem, Será que num peblicito aprovaria-se os aumentos salariais dos deputados; seria hilário um deputado vindo a público e pedindo aos eleitores aumento de 30% no seu próprio salário; abro um parênteses para dizer: que eu aposto, faremos um peblicito hoje para baixar os salários dos deputados e senadores, em verdade qual o motivo de tão alto salário; senadores e deputados já são, por parentesco, habeis com as palavras, podem tirar proveito do cargo público sem nepotismo, sem vícios, opressão; eles são tão mal instruidos que socialmente estão sendo tratados como corruptos, percebe-se, a médio prazo a ineficiência destes representantes públicos; há febre social quanto a isso, o próprio organismo cria formas de combater a uma bactéria a um vírus; o elegível seria apenas o executor, o executor pode ser qualquer um desde de seja um administrador e não mais o único a se beneficiar, e assim, votaríamos o currículo do bom executor, e não (e é como se vota hoje no Brasil) o elegível promitente; criaremos aqui um conceito cuja história todos conhecemos a muito? concluo: sabido que as promessas promitentes, em sua maioria estão asseguradas na Constituição Federal, redundancias à parte, quanto deveria ganhar um deputado? pensemos juntos, o deputado não necessita pagar aluguel de uma sala na assembléia legislativa; ele recebe auxílio gravata; ele recebe décimo terceiro e décimo quarto salários, ele recebe dinheiro para sua campanha; para quê o salário exorbitante? Se pensarmos conscientes chegaremos a um acordo; a democracia atual brasileira se faz pela compra de votos? Tenhamos uma visão mais próxima; um candidato à prefeitura de Teixeiras, qualquer um, gastaria seisentos mil para se eleger; há algo asqueroso nisso; seiscentos mil para se eleger prefeito, ou seja, fazer-se administrador público, prefeito; com o dinheiro gasto pelos dois principais candidatos à administração pública municipal daria para equipar uma escola municipal a ponto de fazê-la modelo no Brasil e mundo; o candidato convence a população a elegê-lo com um bom “plano de governo”; porém a história é controversa; apenas o dinheiro convence? Em Teixeiras compra-se um voto com o valor irrisório de cinco sacos de cimento; é comum o discurso popular “daqui a quatro anos vou reformar minha casa”; grande parte dos eleitores foi condicionada a esse tipo de campanha eleitoral; falo de Teixeiras por dois motivos; o primeiro motivo, e não menos importante, refere-se ao fato de eu ter nascido e vivido ali boa parte da minha formação, sei bem dos acontecimentos ali ocorridos, posso falar da minha casa da forma que eu quiser; o segundo, e talvez o que mais se aproxima do discorrido, refere-se à logística oferecida pela cidade para observá-la; por ser uma cidade pequena, fechada em si, pode-se perceber com facilidade o objeto do qual se quer divagar; minha insensata visão do mundo vê a unidade social ser a responsável pela mecanização dos hábitos sociais; os casos ocorridos em Teixeiras são os mesmos em Estado, Federação... Vaticano? Um estudo da mecânica social de teixeiras pode aprofundar o que digo; os mesmos casos ocorrendo em vários setores sociais; divago o instante vazio, não muito espontâneo e, na maior parte das vezes, excessivo e copioso, eu, incompleto, imperfeito, mentiroso, não busco e nunca buscarei a justeza (Pederasta! como diria minha sogra, e que Deus a leve pro Inferno); eu me procurando e não sendo parte de mim, eu não sendo parte de mim e me procurando nos rostos comuns nas ruas dos centros e, principalmente, das gentes do interior do interior do interior... como os penso ser o Sô João, Zé Olímpio, Sebastião; viva o povo! diante dos impensáveis barulhos de motores antiquados no asfalto, motores de combustão petrolífera; mesmo desleixado de minha consciência e me expressando vulgarmente como as gentes comuns, eu, divaga voz, eu, vulgar, diante do extremo barulho, queria me sentir surdo; queria estar em São Pedro de Cima, ou qualquer lugar diametralmente longe do círculo a que estou vendo da janela de meu apartamento; apenas quando lhe ouço, ou lhe percebo, sinto-lhe, divaga voz, sou tudo; me sinto completo em me sentir em ti; sinto o corpo e me sinto vivo e belo, mesmo que a beleza seja uma vaga lembrança do que penso ser o que fui quando jovem; nada quero daquilo que me denegri; tudo quero daquilo que me fortalece; ainda bebo um gole de qualquer coisa que me faça enaltecer o ego, se é que o ego seja algo de se enaltecer; em verdade, bebo para me sentir menos deprimido e mais feliz, viva a felicidade! me sinto feliz quando lhe sinto; sempre lhe sinto, mesmo que momentaneamente; uma felicidadezinha povoa meu corpo, viva a felicidade! me sinto repetitivo; queria ser uma borboleta; queria ser um macho de jaguar; não quero ser nada e sou o que o sopro do vento traz; me escondo quando devo me apresentar; e me embriago quando devo me sentir sóbrio; ó, quanto de mim é apenas um ser que, às vezes, chora; difícil pensar um momento em que eu não me sinta humano, queria me sentir irracional para não me sentir constrangido e chulo ao dizer do natural a natureza humana; penso em me aposentar como vegetal e morrer nunca; me ramificar em bulbos até me tornar outro, e outro sendo, me tornar outro ainda até não saber quem sou e me perder em mim; se estou no Cafanjo, queria estar na Savassi; se estou no Reciclo, queria estar no Brandinão numa festa qualquer, com todos os que conheço a anos! é bom se ter em um país, no horário nobre, a dramaturgia; creio evoluirmos a consciência da arte, a idade clássica conseguiu feito igual ao brasileiro, na dramaturgia; ver Lima Duarte atuar; o momento me vem como nunca esperado, e me arrebato, me sinto feliz, choro de alegria e penso em mim como um ser igual ao ser do mundo, um ente do mundo; nada me surpreende mais que saber que um ente é um ser do mundo e eu ser um ente, ser um ser do mundo; disperso meu olhar para a janela meio aberta e me vejo em ti, divaga voz; queria apenas comer mandioca cozida temperada com sal; minhas filhas crescem, meus cabelos caem, aparecem as rugas, as contas aumentam; não consigo administrar sequer a mim; brindemos ao mundo das quantificações!
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Atribulado, agourento, diante de acontecimento per fas et nefas, pelo caminho que vai em ida, que seja a ida a volta em trás, porque tudo está em voltar, retornar, tornar, regressar, volver, mexer, remexer, revolver, replicar, retrucar, devolver, restituir, regredir, compensar, incessante e permanente pelo qual morphé se dissolve noutras morphés; como o universo indo e vindo vai e volta; per fas et nefas, o sentimento em tudo que sinto perfaz o permitido e o proibido; diante do amor ali querido, diante do instante atribulado, a imagem apenas sagrada do amor, que o amor ainda hoje me toma inesperado; inda mais o amor novo, aquele que me vem como um descaminho, um surto de carinho lúcido, de sensações dúlcidas; antes um coração cainho, hoje não, hoje, tudinho de bom, e me desfaço, e desalinho, e permito tudo e proíbo tudo; e permito um beijo roubado, um sarro na rua, dentro do carro; e vou me abrindo em desejos e me dou tudo, me arremesso ao carinhoso, ao amável; por isso tudo é permitido, o carinhoso, o amável, o universo inteiro; eu inventei a felicidade! E há quem diga que sou louco por inventá-la; sou louco sim, e não me envergonho de pisar todos os manicômios e de amar em demasia; de me sentir feliz enquanto todos estão longamente contemplativos em fenecimento; em desamor o mundo se atropela em dasamor; trucandamente depois de eu ter inventado a felicidade algum outro ser inventivo descreveu o desamor em teoria, e me senti tão mais em desamor do que em felicidade que me bitolei nessa outra teoria; guardo um brinquedo antigo que ganhei de meu avô, olho para o brinquedo e meu avô sorri; previsse meus instintos que uma tempestade mudasse a rotação da terra, queria eu que um vento forte varresse o mundo e que meu avô voltasse em forma humana como ele era, que as árvores derrubadas erguessem-se novamente, que as nascentes de água erigissem novamente, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, que seja, esteja, é, um pensamento do bem é um pensamento livre, e que estas palavras fluam por todos os corações, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, e que os frutos cresçam aonde há miséria, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, e que da seca da terra brote água, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, e que um vento forte leve todo bom pensamento para todos os corações, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, que do homem ganancioso surja o homem bom, que o pensamento do mal converta-se no pensamento do bem, que estas palavras varram todos os céus de todas as terras, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, que estas palavras estendam-se em várias ações, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, que seja da ação do bem o homem, que antes ganancioso, descobriu a capacidade de se amar e de amar a mim, de amar a ti, de nos amar assim como devemos amar, que o pensamento do mal se torne do bem pelo simples fato de amarmos, pelo simples fato de entender que o amor é fonte inesgotável de pensamentos do bem, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, e que os homens convivam com os animais em harmonia e na convivência do amor o pensamento do mal se torne pensamento do bem, que o homem mal desapareça da terra e deste surja o homem do bem, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, e que o pensamento do bem tenha a mesma vontade de todas as nuvens, que tenha a mesma vontade de todos as luzes, que tenha a mesma vontade de voar, que tenha a mesma vontade das raízes, que tenha a mesma vontade do céu ao abrir-se depois de um temporal, que tenha a mesma vontade da qual o rio corre para o mar, que tenha a mesma vontade que a terra se revela por entre todas as coisas, e humilde, na sua forma de amar transforma a pedra em alimento e da pedra brotar água; e com a mesma vontade devemos amar o chão, o mato, o bicho, as coisas todas, assim como, naquele tempo era o triste, a ganancia, o medo, a fuga; o medo de si e de ser o próprio livre e feliz na convivência do outro; a fuga de si e do outro como um lastro de lodo; quando tudo nos parece arenoso, ou quando se está tremente, quase sempre fugimos ou pedimos socorro; quase sempre fugimos, quase nunca, socorro; e desse despertar de si no outro, na convivência do outro é que se é livre na liberdade do outro e é assim que se ama no amor do outro; atribulado... cançado... eu ovo... a capsula da cultura... musical squizoide... e porque tanto e tanto... sua vida e minha vida... caminhemos por sobre o mato verde cantando bibit hera, bibit herus, bibit miles, bibit clerus, bibit ille, bibit illa, bibit servus cum ancilla... sem dono e sem valor objeto... descaminho a passos disturbiantes; abraço-te e caminhemos juntos... o tempo se vai no crepúsculo... caminhemos... para depois do morro donde morre o sol;