Demônios Minérios

terça-feira, setembro 14, 2010

Divaga Voz

Divaga voz, outra coisa, senão, anima; eleva-me torpor carinhoso como um comprimido de anfetamina; traça no largo espaço do meu corpo uma alegria úmida; toma-me como a detenho, suavemente derramada por um sentimento simples num veio quente; faça-se sólida quando se é única; faça-se leve a quem lhe quer por não tê-la; e para quem aturdido em sua existência parca, faça-se lúcida; faça-se límpida num dia insípido; faça-se lépida para um gosto lúpulo; faça-se sossego para um pensamento mórbido; ao ouvi-la me quero sentir livre ao me sentir recluso; ao ouvi-la me tenho como se nada me faltasse, e nada me falta se nada possuo; se possuísse, seria a falta de se errar infalivelmente; mas erro meu ser continuamente e nada valho; ao ouvi-la furto-me dos quebrantos, farto-me em decantos, cuido-me em esperanças e uma felicidadezinha começa a povoar-me; mais que a necessidade de me sentir esperançoso é a necessidade de me sentir feliz, mesmo que momentaneamente; e muito me tenho comedido ao tentar desvencilhar felicidade e esperança; no todo, eu arrisco, e por me arriscar em meu comedimento, ao querer o acerto, imediatamente falho; talvez por isso me sinta birrento, insistente, teimoso, aborrecido, zangado, mal-humorado, rabugento, impertinente; mas ao senti-la, foge-me o discernimento, toma-me em arrebatamento o surto e espaço-me em não cabimento, e rio o meu erro para não me rir a desgraça; quando inseguro, penso apenas em me sentir feliz e me sinto esperançoso; quando feliz, penso apenas o momento, expurgo a esperança, e sagaz, encho-me de um ar puro e brado a felicidade, brindo à felicidade; porém, diante desta vida, e a todo momento algo irresponsável consumado, sinto a austeridade acerbada conluia à sagacidade, minha sagacidade; inevitavelmente, de forma violenta toma-me o desespero; ainda assim, divaga voz, ao senti-la tudo se enobrece, ao senti-la meu corpo enternece e, sentindo-a mais e mais, e cada vez mais sentindo-a e sentindo-a, ah! Não me caibo de tanta felicidade; a verossimilidade entre o que sinto e o que penso manifesta-se em mim numa felicidade incontida; e rio a todos indiscriminadamente, rio a todos como se eu... imagina.... divagasse; não, estou lúcido neste mundo qual nenhum mito o criou.


*


Restava do homem que foi a carne diluída.
Dango caminhava pelo jardim da praça catando uns tocos de cigarro.
Zé Olimpo retirava do assoalho do coreto suas ferramentas.
Padre Napoleão, fumando seu charuto, olhava a diante o movimento das beatas.
Milton Rodrigues, em seu Landau azul-marinho, descia da Rua Nova a noite mal dormida.
João Floresta tomava sol na barriga enquanto mastigava um pedaço de pão doce à porta de sua casa.
Pio arrumava sua boina xadrez.
Antônio Queiroz descia a rampa de sua casa arrastando a manhã.
Zé Rubim servia o café para seus hóspedes.
Dango dava voltas e mais voltas ininterruptamente na calçada do jardim e entorno da igreja.
Padre Napoleão começou a missa com seis beatas velhas, seis futuras beatas, um sacristão afeminado, um pecador desorientado e uma menina aturdida.
O Landau buzinou para João Floresta, que por sua vez estendeu o braço em retorno cumprimento e se deteve diante da casa de Antônio Queiroz para trocar umas meia palavras.
Zé Pio, assentado no seu balcão, debitava os pães diários de Marilú em sua caderneta mensal.
Zé Olimpo começava a limpar o jardim da praça.
A charrete de Diolino abria a praça com seu estridente estalas de ferraduras.
Mário Carroceiro entregava os botijões cheios, leva consigo os vazios.
Lentamente começa o dia e Dango continuava a divagar a praça central.
José Eduardo abria as portas do correio no antigo prédio da prefeitura.
Alberto Zaidan ligava a máquina de limpar arroz.
Toledo caminhava em direção ao Fórum.
Dona Tita benzia o tornozelo inchado de Zé Moreira.
Jair, o poeta, amolava sua tesoura.
Dango caminhava o tempo de uma praça inteiriça, larga, longa.
Do Pássaro Verde desceu a gente que vinha do Bom Jardim.

*

O orvalho molhava as canelas do homem que carpia a roça de feijão.
O chapéu de Zé Lupim escondia sua cabeça calva.
João afinava as cordas do bandolim.
Uma vaca varou o aramado e comia espigas de milho.
Uma novilha escorregou seu mocotó e esfolou o barranco.
Uma galinha acomodava seus ovos.
Um anu branco comia carrapatos.
Um cão latia.

*


Dango, fatigado das voltas dadas em torno do jardim da praça, descansa num banco dela, assenta nela, vive ela, imagem remota e solene. A imagem ultrapassa a palavra, a palavra ultrapassa a imagem, se Dango não existisse, seria inventado. Encho minha boca de maçanzinhas colhidas no círculo central da praça, o jardineiro não admite tal interferência humana, lança-se com fúria em minha direção, marca minha perna com uma chibatada, xingo-o, crianças sabem de coisas horríveis; dizem-nas apenas quando necessário. Subo na bicicleta e corro para a praça da igreja; Gustavo havia morrido a poucos dias, a saudade, atual. Era sempre alguém disposto a brincadeiras. Estava eu sozinho, perambulei pela rua da prefeitura, e ali estavam Juju, Arthur e Fabim, e melhor, com eles uma bola dente-de-leite. Subimos para a Rua Nova jogar uma peladinha no campim da igrejinha; quando se tem colegas em uma cidade tranquila, crianças são como cães vagabundos, correm, brincam, dormem, comem em plena rua; senti-me feliz quando os vi, e eles pareciam felizes como eu; a felicidade é parte viva de mim, acordo cantante constantemente, mesmo assoviando um samba triste; mesmo se for um samba-canção estou feliz; divaga a memória da minha gente nas páginas da história; minha gente conto nos dedos quantos são, repetem-se nas roupas e nos hábitos, nas falas e nos gestos; consigo, pela correria que imprimo ao jogo, segurar todos os atacantes contra e dar meu fôlego ao jogo, nasci para correr atrás de uma bola; claro que muito aquém de ícones da cidade que faziam a bola correr e não precisavam correr, talvez eu conseguiria alçar-me ao título de menestrel dos desarmes, mas o tempo foi pouco para mim num campo de futebol na cidade que nasci; Dango foi nos ver jogar bola, Dango aparecia em todos os lugares, vagavam sem rumo suas pernas, divagam assim também o pensamento; Dango rezava pra Nossa Senhora, que pedia? Para mim homens livres têm tudo, não necessitam nada; caso pessoal, segundo o Padre Boca de Charuto, os pecados por assistir tv, desobedecer mãe e masturbar-se aparecem na ficha de pecados com a receita de Ave Maria e Padre Nosso; para voltar a ser benzido pelas mãos fedorentas do Padre Boca de Charuto devíamos intimamente delatar-nos em confissão; e eu me pergunto inda hoje, por qual motivo precisamos dizer a alguém o que fazemos no nosso íntimo; envergonhados, encolhidos, a voz variada, trêmula,  oprimida; por qual motivo nos oprimirmos diante a natureza íntima de nossa vontade, desejo, amor; quem, dentre nós, detém o poder de julgar a minha intimidade e dizer que por praticá-la devo pagar em Padre Nosso uns dez, isso se for eu homem, se for eu mulher a conversa é com Nossa Senhora umas dez Ave Marias, tudo isso por eu me achar bela diante o espelho; corre em vício tais punições, uma vez que, a punição por punição leva o oprimido a um descontrole, a uma desordem; entendo que a punição não é interesse do homem contemporaneo, acredito que o homem contemporaneo pensa o mundo a partir de algo maior do que pensa um qualquer deus descrito numa ladainha peregrina; pecado por pecado eu dizia ao Padre apenas as coisas corriqueiras, coisas comuns a crianças; Dango passava pelo jardim catando tocos de cigarros, eu ria até; a opressão é forte parte da cultura romana, qualquer livreto de história conta, ressalta, a força opressora com a qual Roma, por meio da sua Católica Apostólica Romana, irraizada na palavra de um testamento antigo e obsoleto, caduto de velho, opressor, machista, tratou e ainda trata gente simples, gente que recebe salário baixo, que tem pouca oportunidade de estudar, fudamentar opinões – ter opinião custa estudo e estudo é caro num país que prefere a oligarquia da palavra sacramentada num livro rançoso, coberto por morais machistas, mitos decadentes,preconceituoso; é preferível o conhecimento desta cultura forjada ao social livre, à cultura livre, à livre criação de si a partir do que se busca, a partir que se forja para si próprio, sem a opressão cristã; por que o filho da puta do Papa não vende o palácio em que vive para salvar os famintos da África? Não, não! É preferivel rezar, com certeza ele tem razão, rezar matará a fome de gente colonizada pela igreja, e pelos métodos cristãos (desculpem-me o excesso de palavrões, mas as palavras saem sem meu consentimento); por que o Papa não se muda para uma casa simples, e passa a comer o que prega a sua bíblia, o pão e a água, o alimento excasso, que é o que a maioria come no mundo, e se ele for muito crente nas palavras fará da água vinho, ou ao menos, beberá água e pensará que é vinho, multiplicará os pães e não precisará de fortunas vindas de vários paises confortantes a ele; Dango dizia isso durante as voltas em que dava, eu não entendia nada;


*

Dango era livre para compreender as curvas da praça; Dango era livre para dizer o que dizia; Dango, quando falava, falava com propriedade arbórea, retirava do chão toda a clarividência de um ser vivente; Dango era feito chão, árvore, vento; Dango era o abismo lírico de qualquer pensamento. A voz reticente da praça não iludia o pensamento sagaz do través mais assíduo; Dango era em si dois pontos em sua menor distância; ou a variação mais brusca deste fenômeno; Dango compunha uma praça viva;


*


E não mais me faça vestir a angústia, queria ser apenas sagaz; quantos tenho que ser sem o querer; antes de ver, sinto; sinto mais a falar; ouço mais a falar; vejo mais a falar; falar é secundário em Minas; Minas é qualquer coisa maior do que sinto, Teixeiras é um exemplo disso; meu maior engano foi acreditar nas palavras; subo pra Rua Nova, atravesso os trilhos; em Minas havia trem em Teixeiras; hoje, lembro-me do trem que engoliu uma das pernas do meu avô; destarte, eu preferiria viajar de trem a carro ou ônibus; uma linha de trem de BH a Teixeiras apenas, com um trem apenas para que não haja colisão e mortes, automático/manual para não ocorrer outros imprevistos, ah! faltou uma coisa, com capacidade para levar e trazer todos os meus sentimentos, um trem que vagasse com a alegria de todos os momentos; estou indo em direção ao Primeiro de Janeiro; o Primeiro de Janeiro está cheio neste domingo; e rola a bola! acredito que o ser humano, dada as tecnologias avançadíssimas, poderia utilizar melhor a energia solar, e sabemos que a Terra está cada vez mais quente, sabido isso, poderíamos sim, privilegiar a energia solar para nos abastecer em tudo quanto precisamos, é a energia mais barata, é a energia com o mais fácil armazenamento, não há como negar, mas nada se faz para promovê-la; a Cemig quer deter os direitos de uso da energia solar, o Estado né, mas o sol é de todos, e apenas por isso, para todos; não há como você, ou ele, cobrir o céu com uma lona preta para racionalizar o uso do sol; e a energia que vem da terra, qual de nós tirará dela a luz que a noite não mais encobre; cabe a nós saber usar a natureza sem a forma predadora romana; BH possui a maior porcentagem de usuários da luz solar, ainda que apenas para tornar a água mais quente, serpentinas solares, o que é muito pouco; passa a bola; e como está quente neste campo, mesmo assim, não perderia um jogo em que jogam Jurandir e Luiz Otávio, teixeirenses, gênios da bola, e como bons mineiros interioranos, preferiram a vida calma ao fervor da cidade grande; meus olhos se enchem de alegria, apenas a cerva me distrai a atenção por alguns instantes; aqui me sinto feliz, aqui nasci, aqui se fez o que divaga; hoje, a maior virtude do homem é... ...$000.000$... dinheiro? Se não existe a ressurreição, se não existe o paraíso e se não existe a dívida divina... viver bem esta vida é o que devemos fazer prioritariamente; em sua grande maioria o homem hoje individualiza-se pensando o bem para si apenas; o homem está perdendo a noção do social; a sociologia explica o fenômeno, a antropologia mostra de onde veio a coisa; a filosofia questiona, e até tenta dar uma solução; mas, tudo muito... teórico? questões sociais são mais lentas e sempre serão mais profundas; vasculhar o espaço é questão de poucos; para quantos de nós  a lua é apenas um satélite; a educação é fator determinante no pensamento de uma sociedade; quantos temem a inteligência, apenas o opressor; nosso maior problema é a mão de obra despreparada, para não dizer incapacitada, no legislativo e no judiciário; se autointitular vereador, prefeito, deputado, governador, senador, ministério público, tribunal de justiça, oprime a muitos, nossa sociedade ainda vive o regime opressor das forças armadas, da polícia, do guarda; a sociedade poderia colocar qualquer elegível na Presidência e ele deveria fazer o que chamaríamos de heterogenia participativa, a sociedade (todos os brasileiros) elegeria a melhor lei, o melhor decreto... criados pela própria sociedade e apenas adequada à forma, à linguagem,  Será que num peblicito aprovaria-se os aumentos salariais dos deputados; seria hilário um deputado vindo a público e pedindo aos eleitores aumento de 30% no seu próprio salário; abro um parênteses para dizer: que eu aposto, faremos um peblicito hoje para baixar os salários dos deputados e senadores,  em verdade qual o motivo de tão alto salário; senadores e deputados já são, por parentesco, habeis com as palavras, podem tirar proveito do cargo público sem nepotismo, sem vícios, opressão; eles são tão mal instruidos que socialmente estão sendo tratados como corruptos, percebe-se, a médio prazo a ineficiência destes representantes públicos; há febre social quanto a isso, o próprio organismo cria formas de  combater a uma bactéria a um vírus; o elegível seria apenas o executor, o executor pode ser qualquer um desde de seja um administrador e não mais o único a se beneficiar, e assim, votaríamos o currículo do bom executor, e não (e é como se vota hoje no Brasil) o elegível promitente; criaremos aqui um conceito cuja história todos conhecemos a muito? concluo: sabido que as promessas promitentes, em sua maioria estão asseguradas na Constituição Federal, redundancias à parte, quanto deveria ganhar um deputado? pensemos juntos, o deputado não necessita pagar aluguel de uma sala na assembléia legislativa; ele recebe auxílio gravata; ele recebe décimo terceiro e décimo quarto salários, ele recebe dinheiro para sua campanha; para quê o salário exorbitante? Se pensarmos conscientes chegaremos a um acordo; a democracia atual brasileira se faz pela compra de votos? Tenhamos uma visão mais próxima; um candidato à prefeitura de Teixeiras, qualquer um, gastaria seisentos mil para se eleger; há algo asqueroso nisso; seiscentos mil para se eleger prefeito, ou seja, fazer-se administrador público, prefeito; com o dinheiro gasto pelos dois principais candidatos à administração pública municipal daria para equipar uma escola municipal a ponto de fazê-la modelo no Brasil e mundo; o candidato convence a população a elegê-lo com um bom “plano de governo”; porém a história é controversa; apenas o dinheiro convence? Em Teixeiras compra-se um voto com o valor irrisório de cinco sacos de cimento; é comum o discurso popular “daqui a quatro anos vou reformar minha casa”; grande parte dos eleitores foi condicionada a esse tipo de campanha eleitoral; falo de Teixeiras por dois motivos; o primeiro motivo, e não menos importante, refere-se ao fato de eu ter nascido e vivido ali boa parte da minha formação, sei bem dos acontecimentos ali ocorridos, posso falar da minha casa da forma que eu quiser; o segundo, e talvez o que mais se aproxima do discorrido, refere-se à logística oferecida pela cidade para observá-la; por ser uma cidade pequena, fechada em si, pode-se perceber com facilidade o objeto do qual se quer divagar; minha insensata visão do mundo vê a unidade social ser a responsável pela mecanização dos hábitos sociais; os casos ocorridos em Teixeiras são os mesmos em Estado, Federação... Vaticano? Um estudo da mecânica social de teixeiras pode aprofundar o que digo; os mesmos casos ocorrendo em vários setores sociais; divago o instante vazio, não muito espontâneo e, na maior parte das vezes, excessivo e copioso, eu, incompleto, imperfeito, mentiroso, não busco e nunca buscarei a justeza (Pederasta! como diria minha sogra, e que Deus a leve pro Inferno); eu me procurando e não sendo parte de mim, eu não sendo parte de mim e me procurando nos rostos comuns nas ruas dos centros e, principalmente, das gentes do interior do interior do interior... como os penso ser o Sô João, Zé Olímpio, Sebastião; viva o povo! diante dos impensáveis barulhos de motores antiquados no asfalto, motores de combustão petrolífera; mesmo desleixado de minha consciência e me expressando vulgarmente como as gentes comuns, eu, divaga voz, eu, vulgar, diante do extremo barulho, queria me sentir surdo; queria estar em São Pedro de Cima, ou qualquer lugar diametralmente longe do círculo a que estou vendo da janela de meu apartamento; apenas quando lhe ouço, ou lhe percebo, sinto-lhe, divaga voz, sou tudo; me sinto completo em me sentir em ti; sinto o corpo e me sinto vivo e belo, mesmo que a beleza seja uma vaga lembrança do que penso ser o que fui quando jovem; nada quero daquilo que me denegri; tudo quero daquilo que me fortalece; ainda bebo um gole de qualquer coisa que me faça enaltecer o ego, se é que o ego seja algo de se enaltecer; em verdade, bebo para me sentir menos deprimido e mais feliz, viva a felicidade! me sinto feliz quando lhe sinto; sempre lhe sinto, mesmo que momentaneamente; uma felicidadezinha povoa meu corpo, viva a felicidade! me sinto repetitivo; queria ser uma borboleta; queria ser um macho de jaguar; não quero ser nada e sou o que o sopro do vento traz; me escondo quando devo me apresentar; e me embriago quando devo me sentir sóbrio; ó, quanto de mim é apenas um ser que, às vezes, chora; difícil pensar um momento em que eu não me sinta humano, queria me sentir irracional para não me sentir constrangido e chulo ao dizer do natural a natureza humana; penso em me aposentar como vegetal e morrer nunca; me ramificar em bulbos até me tornar outro, e outro sendo, me tornar outro ainda até não saber quem sou e me perder em mim; se estou no Cafanjo, queria estar na Savassi; se estou no Reciclo, queria estar no Brandinão numa festa qualquer, com todos os que conheço a anos! é bom se ter em um país, no horário nobre, a dramaturgia; creio evoluirmos a consciência da arte, a idade clássica conseguiu feito igual ao brasileiro, na dramaturgia; ver Lima Duarte atuar; o momento me vem como nunca esperado, e me arrebato, me sinto feliz, choro de alegria e penso em mim como um ser igual ao ser do mundo, um ente do mundo; nada me surpreende mais que saber que um ente é um ser do mundo e eu ser um ente, ser um ser do mundo; disperso meu olhar para a janela meio aberta e me vejo em ti, divaga voz; queria apenas comer mandioca cozida temperada com sal; minhas filhas crescem, meus cabelos caem, aparecem as rugas, as contas aumentam; não consigo administrar sequer a mim; brindemos ao mundo das quantificações!


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Atribulado, agourento, diante de acontecimento per fas et nefas, pelo caminho que vai em ida, que seja a ida a volta em trás, porque tudo está em voltar, retornar, tornar, regressar, volver, mexer, remexer, revolver, replicar, retrucar, devolver, restituir, regredir, compensar, incessante e permanente pelo qual morphé se dissolve noutras morphés; como o universo indo e vindo vai e volta; per fas et nefas, o sentimento em tudo que sinto perfaz o permitido e o proibido; diante do amor ali querido, diante do instante atribulado, a imagem apenas sagrada do amor, que o amor ainda hoje me toma inesperado; inda mais o amor novo, aquele que me vem como um descaminho, um surto de carinho lúcido, de sensações dúlcidas; antes um coração cainho, hoje não, hoje, tudinho de bom, e me desfaço, e desalinho, e permito tudo e proíbo tudo; e permito um beijo roubado, um sarro na rua, dentro do carro; e vou me abrindo em desejos e me dou tudo, me arremesso ao carinhoso, ao amável; por isso tudo é permitido, o carinhoso, o amável, o universo inteiro; eu inventei a felicidade! E há quem diga que sou louco por inventá-la; sou louco sim, e não me envergonho de pisar todos os manicômios e de amar em demasia; de me sentir feliz enquanto todos estão longamente contemplativos em fenecimento; em desamor o mundo se atropela em dasamor; trucandamente depois de eu ter inventado a felicidade algum outro ser inventivo descreveu o desamor em teoria, e me senti tão mais em desamor do que em felicidade que me bitolei nessa outra teoria; guardo um brinquedo antigo que ganhei de meu avô, olho para o brinquedo e meu avô sorri; previsse meus instintos que uma tempestade mudasse a rotação da terra, queria eu que um vento forte varresse o mundo e que meu avô voltasse em forma humana como ele era, que as árvores derrubadas erguessem-se novamente, que as nascentes de água erigissem novamente, que o pensamento que é mal se torne  pensamento do bem, que o pensamento que é mal se torne  pensamento do bem, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, que seja, esteja, é, um pensamento do bem é um pensamento livre, e que estas palavras fluam por todos os corações, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, e que os frutos cresçam aonde há miséria, que o pensamento que é mal se torne pensamento do bem, e que da seca da terra brote água, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, e que um vento forte leve todo bom pensamento para todos os corações, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, que do homem ganancioso surja o homem bom, que o pensamento do mal converta-se no pensamento do bem, que estas palavras varram todos os céus de todas as terras, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, que estas palavras estendam-se em várias ações, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, que seja da ação do bem o homem, que antes ganancioso, descobriu a capacidade de se amar e de amar a mim, de amar a ti, de nos amar assim como devemos amar, que o pensamento do mal se torne do bem pelo simples fato de amarmos, pelo simples fato de entender que o amor é fonte inesgotável de pensamentos do bem, que o pensamento do mal se torne pensamento do bem, e que os homens convivam com os animais em harmonia e na convivência do amor o pensamento do mal se torne pensamento do bem, que o homem mal desapareça da terra e deste surja o homem do bem, que o pensamento mal se torne pensamento do bem, e que o pensamento do bem tenha a mesma vontade de todas as nuvens, que tenha a mesma vontade de todos as luzes, que tenha a mesma vontade de voar, que tenha a mesma vontade das raízes, que tenha a  mesma vontade do céu ao abrir-se depois de um temporal, que tenha a mesma vontade da qual o rio corre para o mar, que tenha a mesma vontade que a terra se revela por entre todas as coisas, e humilde, na sua forma de amar transforma a pedra em alimento e da pedra  brotar água; e com a mesma vontade devemos amar o chão, o mato, o bicho, as coisas todas, assim como, naquele tempo era o triste, a ganancia, o medo, a fuga; o medo de si e de ser o próprio livre e feliz na convivência do outro; a fuga de si e do outro como um lastro de lodo; quando tudo nos parece arenoso, ou quando se está tremente, quase sempre fugimos ou pedimos socorro; quase sempre fugimos, quase nunca, socorro; e desse despertar de si no outro, na convivência do outro é que se é livre na liberdade do outro e é assim que se ama no amor do outro; atribulado...  cançado... eu ovo... a capsula da cultura... musical squizoide... e porque tanto e tanto... sua vida e minha vida... caminhemos por sobre o mato verde cantando bibit hera, bibit herus, bibit miles, bibit clerus, bibit ille, bibit illa, bibit servus cum ancilla... sem dono e sem valor objeto...  descaminho a passos disturbiantes; abraço-te e caminhemos juntos... o tempo se vai no crepúsculo... caminhemos... para depois do morro donde morre o sol;

domingo, setembro 24, 2006

Demônios Minérios

oro ut homo miser conservo incolumis uma sensação de aversão paira o medo se encarrega de avivar mais e mais o que sinto a sua presença me atormenta acendo um cigarro por agonia começo a roer as unhas repugnância desvio meu olhar para a janela meio aberta e o céu está belo e faz sol levanto-me da cama preguiçosamente observo sua foto em minha cômoda meu corpo arrepia e quando sentimos uma coisa por inteiro uma outra oposta já sentimos e o que resta de resto se o amor é capaz de destruir deformar pessoas conduzir pessoas em seres repulsivos transformá-las seres sombrios azedos incrédulos abjetos nojentos enodoados cheios de torpor o amor se é que é e alinho meu pensamento enquanto olho-me no espelho à esquerda adiante e visto-me dispo-me por alguns instantes do que me aflige e abro a porta da rua que tranco e saio no sol dia que me ofusca e de súbito uma tontura me toma pelos pés pelas pernas meu corpo treme encosto-me à parede suor frio escorre por meu rosto revoltadas encabuladas vozes ao redor de mim multidão de transeuntes e passa por minha cabeça memórias antigas paisaje de la multitud que vomita algo minha garganta ressequida pede assim lembro-me de que escondi em meu guarda-roupas um vinho e volto e abro a porta tranco acendo um cigarro pego uma taça derramo o vinho bebo bêbedo já com os sentido embriagados e de pensar penso na morte uma tranqüilidade efusiva toma-me o corpo como se fosse os braços de amor invadindo ternamente a lassidão tenra das carnes que belo uma vida cheia de esperanças ceifada tão cedo efêmera vida manca arrastando-se que beleza possui a morte quando se está à flor da idade para preservar-se das misérias humanas das sensações pueris das formas artificiais que possuo e penso desvio meu pensamento ao encher novamente minha taça acendo um cigarro bebo uma taça amar a alguém é perder-se em corações de açucenas é embriagar-se da canção mais fina ao som do licor mais raro é por encantamento semear o perfume maduro das sensações é se desfazer em fome delírios ciúmes é não dormir e não querer a vida se inesperadamente o calor o dorso as pernas a voz são absorvidos por nódoa escarros vômitos súbitos e o não coração não semeia e o licor silencia-se e o perfume se queima e o som se mistura a cheiro de imundícies com dor no corpo olho o relógio e uma hora se passou alguma nova sensação tomba sobre mim as fibras de que sou ardem e eu pensamento em cama deitado e pensamento bêbedo em pé de frente e foto e pensamento e cama e eu


sombriamente me pego pegajosamente em sensações de pânico entro no chuveiro quero lavar a amargura tirar a sujeira arear o podre e pode ser o passado a me procurar e me impor o que não existe o que não quero ah meu trabalho não não hoje não há trabalho é feriado e um homem que quis a liberdade quis a liberdade e bravejou o tempo e sucumbiu o tempo e transpôs o fio entre o perecível e o eterno através do pensamento e da palavra dotado de inteligência mineralógica fugindo dos vícios sociais tormento dos homens honestos este homem conduziu a esperança em cavalo de ouro e foi conduzido à forca por conduzir o pensamento que conduzia a esperança que conduzia os homens que conduziam os cavalos que conduziam a riqueza e foi esquartejado suas partes foram alçadas em alturas tombadas visíveis a tânatos que cinicamente à imagem dos feitores ria um rizinho nojento e ligo o som bossa livre música para uma alma atormentada acendo um cigarro abro outra garrafa de vinho bebentorno sem degustas apenas para embriagar-me mais neste momento uma paz sequiosa me consome o amor deve ser cuidado pelas mãos delicadas do tempo cultivado em terra meiga e bondosa em ponderada chã viçoso e pleno virgo dos que amam sem visgo sem vinco sem vespas sem ciúme vinhaça e cegueira a vindima goza de tempo de espera para poder em momento seguro dar um saboroso pomo fresco sadio fortificado nas ocas horas em que a pérfida erva cresce e o viscoso verme ataca a terra deve ser mantida humosa acalentadora os olhos do cultivador devem permanecer atentos carinhosos apaixonados o amor é como um fruto em seu verdor e amadurecimento o amor se faz e se refaz dentro em si é a transitoriedade entre o som e o silêncio que a vida consome-se ruidosamente e a morte silenciosamente acendo mais um cigarro olho o céu e o tempo está quente nos trópicos como é preguiçosa a sesta em dias quentes lembro-me de quando ainda no colegial triiimirimiimrimiimmmm um colega me deu de presente um livro sobre os maiores pintores de todos os tempos triirmiiimriimm não entendi o porque de tal presente não me lembro se na época eu havia contado ao colega sobre meu gosto por arte em especial pintura mas como foi um presente de amigoculto triiriiririmrirmiim e nessas horas sei como é difícil comprar algo para alguém principalmente se o convívio entre as duas partes não for dos mais afáveis e há neste livro a sesta dois camponeses se descansando sobre um monte de feno e miro no teto do quarto triiririmmririrmrirm o olhar e me vem de súbito uma efusão de cores e movimentos quando estou em sesta sempre me retrato na bela tela teto imaginária e de repente o pensamento e deitado verifico o olho mágico e cego da gostosa e linda secretária eletrônica


você ligou para o telefone zero três um três três três cinco dezesseis setenta e seis após o sinal deixe seu recado tumumumumumumum como vai sinto sua falta não pensei que ficaria impaciente com minha demora não pensei que ficaria de cabeça quente com meus e-mails por eu lhe contar o que aconteceu há três dias não vai ao trabalho há três dia ligo para você e ninguém atende muita gente anda preocupada com você principalmente eu a sua menininha e eu de novo não sei o que fazer mais a confusão me toma liga pra mim pois infeliz minha vida está o remorso me leva a pensar em morrer estou com medo por favor eu te amo


morrer resposta perfeita à voz fala em comoção pulvis es et in pulverem revesteris acendo um cigarro és pó e ao pó retornarás penso e não hesito ao pensar se as palavras juntadas aleatórias se se arremessassem aos corações todo o meu sofrimento minha vergonha minha paralisia vomitaria todo estômago fraco por mais frio que seja por mais céptico que seja vomitaria pois a morte para os tristes é ventura escovo os dentes volto ao quarto arrumo a cama porta rua passeio transeuntes sinal de trânsito carros carros carros sinal de trânsito faixa de pedestre passeio transeuntes negros brancos amarelos prédios postes marquises mofo buracos ratos baratas no passeio baratas no lixo baratas nos buracos boca de lobo transeuntes mendigos mijo fedor sujeira sinal de trânsito carros carros carros buzinas ônibus sinal aberto para pedestres rua passeio esquina transeunte árvores postes de luz out-door banco carteira cartão caixarápido cartão senha cartão senha dinheiro cartão carteira banco esquina passeio sinalfechado para pedestres rua correria passeio bocasêca buteco e quero esquecer prédios postes marquises mofo buracos ratos baratas no passeio baratas no lixo baratas nos buracos boca de lobo transeuntes mendigos mijo fedor sujeira sinal de trânsito carros carros carros buzinas ônibus sinal aberto para pedestres rua passeio esquina transeunte árvores postes de luz out-door garçom cerveja mesa cerveja copo boca copo cerveja pensamento papel e caneta uma brisa calma me invade nesses tempos quentes os butecos abrem espaços com mesas e cadeiras por boa parte do passeio nesses compridos braços bebem jovens riem os prazeres da pouca liberdade que ainda resta em comungar o instante observo a tudo e me vem uma música e me vem os lobos de villa e não creio não acredito não não é tudo para um momento como este danças de índios rude poema o infinito tornando-se palpável principalmente as melodias os harmônicos meu compositor frenesi pleno ao possuí-lo com os ouvidos com as escarpas da alma passaria o resto de meus instantes a satisfazer-me de infinitudes e de gozos sozinho bebo a quarta cerva exausto cambaleio o olhar para o céu singelo dum d[anod(i-a)no]te duma noi[tedi(o)]a peço a conta a cerva me enche de uma preguicinha tropical libertária volto para casa me deito em me levantar já deitado para descansar um pouco penso e revolto isso enquanto aumentam os tremores de terra em minas


se um deus me desse o privilégio de ser amado e à minha maneira correspondido mas um deus não dá aos fracos a razão nem aos fortes o sentimento por isso há um pavoroso abismo na alma do louco e um fio entrelaçando o ceticismo à razão o telefone toca ou não toca agonia levanto-me deitado se é que me levanto da cama escovo os distúrbios deparo-me com sua foto na cômoda novamente uma sensação de aversão paira medo não sei porque ainda não rasguei a foto escaneio o retrato pelas mãos dos olhos a janela o céu está claro e faz sol belo dia nos trópicos este calor ameno me acalma recoloco o retrato no lugar entro em mim de novo banho saio o calor aumenta acendo o cigarro inseparável um pouco apenas meu pesar suavizo penso em me mudar campo flores pássaros cabeça-de-gado sombra fresca de árvores seculares me abraçando a terra úmida me acomodando dando-me o sustento apenas sem superficialidades eu chapéu camisaberta ao vento sandália de couro a água corredia cheiro de alecrim-do-mato o atentamento ao livro das estrelas a chuva a prole a paz o amor o ninho mas as ervas esviceradas da cidade me consumindo um naco de vida a cada instante aaahhh começo a roer as unhas fui pó serei pó o padre disse essas palavras fui pó se assim é o que sou sou pó se sou pó o serei serei pó ninguém é o que é é o que há de ser estou descendo para sempre ao orço o amor não me quer isso me causa uma dor surda e cardíaca estou fadado às cruas dores ao triste e ao temeroso o que nenhum entendimento dá conta morte a morte é para os fracos para os livre de pensamento para os sulfurosos os revoltosos os limitados os enciumados os utópicos os loucos os viciados os libertários os determinados os pederastas os desempregados os traídos e os barbitúricos são para a morte um grande aliado e sua administração por via endovenosa ou intravascular provoca coma por depressão do sistema nervoso central e do sistema respiratório a morte se dá por colapso vascular ou choque cardiogênico por via oral o efeito é mais lento seis gramas seria o bastante a morte tem sua preferência


se tal deus me desse o prazer de ser amado eu seria diferente insuportavelmente diferente seria a Matilde do mestre chileno peri julieta odisseu marília a vida me dá tombos sou perecível pura angústia a vida me transforma em arte porca um quadro sem retoques um soneto manco a repetição na sua forma mais vil de conceito a cópia de outros temas uma composição nada autêntica e sem a mínima beleza do que traduz o belo o belo são os sentidos a admiração reflete ao aprazível aos sentidos os segredos o gosto individual por aquela ou esta visão da arte fragmentação de todo gosto que é de cada um em seu ser uno em seu ser f-r-a-g-ment-a-d-o eu coisa chinfrim sou o plágio de tudo o que já foi dito escrito cantado pintado pensado e lido acendo um cigarro os demônios quem em tempos de fúria já os sentiu é como viver uma tragédia ter sido arruinado mas de algum modo continuar a viver sabendo que algo ainda lhe é esperado pavoroso ou divino que em estado de torpor não sentiu gosto de sangue no céu da boca e maldisse o divino e quis o absurdo a mão do asqueroso as armas do suicídio quem não sonhou as formas do tenebroso os olhos da serpente as patas do bode as falas do malquisto as asas do caído quem desejoso de vingança desejoso de poder não abriu mão do certo para obter o inconstante a solidão a negritude da alma a espectro do demo quem em momento de ruína comportou-se como mandam as palavras curadoras quem as não suporta mais e em ânsia de vômito nega a tudo e pede o demo e quer a companhia do demo e suplica em sangue os prazeres que o demo proporciona eu me sinto assim nesta manhã um predestinado um amolado demoligno se eu como macbeth ou édipo fosse consumido pelo próprio que alívio que divina desgraça aaahhh a impotência a ignorância e o ódio minhas três faces meus três amuletos acendo um cigarro por desespero mentira mentirosa o amor não seria capaz de dizer uma só mentira esta voz não vem do amor não pode vir de quem ama seus dizeres são enganosos ilusórios e vozes amorosas não conduziriam a palavra para tão pernicioso pensamento mentira se fossem palavras verdadeiras estariam transpostas com sangue o sangue do arrependimento mentira o amor não abjeta a coisa amada não repugna a companhia não exaspera solidão vulcânica morte o amor dentre todas as formas de querer a vida é o mais seguro não mente não faz de si um querer não quisto um dizer não dito um sofrer sofrível o amor conduz a potestade e o supremo saber o amor


saio de repente e o céu se torna intensamente revolto de fatura violenta trágico são massas de cinzas e sombras azuis esverdeadas e meus olhos se fecham de súbito djanira esfrego as mãos com os olhos e a visão do quarto foi clara continuo a caminhada o supermercado é a referência supermercado caixas carrinhos lentidão parteleiras mais parteleiras gôndolas alimentos frizers frangos congelados peixes queijosfateados presunto pão eis o que quero pão quatro preciso comer pão ao menos três vezes por semana e cenoura todos os dias e repolho também azeitona vinho alface arroz açúcar tempero molho de tomate biscoito polpa de frutas desinfetante sabão sabãoempó feijão manteiga e só e volto e chego em casa o dia está quente suei com as compras coloco-as em seus devidos lugares faço um suco no liquidificador polpa de frutas gelo bato tomo uma sensação de frescor invade-me o corpo me acento no chão frio da cozinha enxugo a testa umedecida tiro toda a roupa minhas costas estão molhadas minhas coxas meus braços meu corpo entro no chuveiro esfrego suavemente a bucha por sobre minha pele oleosa a juventude nos dá o prazer do corpo firme da pele doce do rosto limpo do cabelo avolumado dos pêlos finos o rapaz um tórax largo as pernas grossas os músculos rijos as mãos fortes o pênis sempre ereto de gozo um Davi e a moça os seis firmes as pernas torneadas as mãos suaves a pele macia os cabelos longos os pêlos delicados a vulva úmida de gozo uma Vênus e sinto uma punção de desejos e com uma das mãos acaricio meu corpo com a outra toco minhas partes excitadas meus pêlos se arrepiam meus olhos se fecham lembro-me do tempo em que o amor eram dois corpos se beijando o amor pedindo dentro em mim meu bem e o amor abrindo fissuras por frente e por trás o amor penetrando todos os orifícios excitados e o membro viril lambendo as partes internas de seu amor e languidamente uma mão acariciando e apertando os seios e a outra mão em movimentos suaves tocando friccionando o clitóris rijo úmido e o amor deitado em baixo gemendo me mete me mete e dança e rebola e extasiada forma fina demônio do prazer entranha semente mulher na fornicação maior dos êxtases das carnes me mete me mete le petit mort e entorna das ancas aveludadas o gozo de avenca que desliza para o dorso do macho e o líquido lírico lança-se da flauta de avena para a pele avelanada da fêmea e minhas pernas tremem e meu banho é demorado triririirirmirirmri triririrmrmrimrim trimrirmirimrm trimrimrrmimrmirmiriirm trimrirmriririmirriririmm


você ligou para o telefone zero três um três três três cinco dezesseis setenta e seis após o sinal deixe seu recado tumumumumumumum não é apenas um vago modulado sentimento o que me faz cantar enormemente a memória de nós é mais é como sopro de fogo é fraterno e leal é ardoroso é como se a despedida se fizesse o gozo de saber que há no teu todo e no meu um espaço oloroso onde não vive o adeus não é apenas vaidade de querer que aos cinqüenta tua alma e teu corpo se enterneçam da graça da justeza do poema é mais e por isso perdoa todo este amor de mim e me perdoa de ti a indiferença te amo esqueça o ocorrido todos cometemos erros não sei como desculpar-me mais peço para você me ouça não suporto sua frieza não suporto a condenação que me impõe erros perdoa-me os sonhos não é certo o que está fazendo sei que me ama sei que me ama mais sei que me ama mais do que tudo sei o quanto você está impaciente não há motivos para se trancar em casa viver isoladamente fugir a todo instante do que lhe afligi por você eu sou capaz de o insuportável suportar o impossível fazer o inatingível atingir o insuperável superar mas se você não me quer mais não não tum tum tum


para quê me contara tudo na ignorância o amor vive tão mais feliz porque me contara tudo terei eu esta resposta respostas prontas não quero respostas pensadas maquinadas o espontâneo me é aprazível na espontaneidade não se pensa em demasia és quem és a verdade se é que há pode estar aí se o cadafalso é pensamento para um a corda já está no pescoço de outro e pergunto alguém nesta vida de uma só lâmina não se cortou ainda e quem já se viu à beira do nada e por ousadia feriu-se acendo um cigarro deito já deitado na cama estou como fome esquento a comida satisfeito volto para a cama que estou lembro-me de meu pensamento espairece ilusão são nuvens chuvosas carregadas penso uns versos para o instante agora


o braço se cruza
o corpo está ciente da derrota
o corpo insiste em dizer
desistir é solução de vida e poesia
a alma se espanta
grunhe
a morte se ajusta ao tampo do tempo
não estar morto é estar se debatendo


não existe verdade em dizeres perfeitos troco minha roupa tranco a porta e saio o sol agora não chega a se impor em demonstrações de final de tempos porém o sol chega a se impor em demonstrações de final de tempos os trovões escatológicos que são trazem para si o principiar de uma nova inundação de pesadelos o mês presente por força da natura suporia um clima mais ameno para nós tropicais um friozinho ao amanhecer e o uso de um moletom um calor ameno durante o dia e à noite um agasalho de lã ou de couro mas o que vejo é um retorno aos meses de novembro e dezembro e janeiro e fevereiro quando o sol racha na moleira por alguns dias e a população aproveita para ir às praias do nordeste do país ônibus carro ou avião dependendo da condição comem muito peixe muito camarão bebem dançam frevo samba maxixe se acham nacionalmente integrados ao seu país sujam toda a orla de mais de dois mil quilômetros de praia se bronzeiam se fazem belos viris incorruptivelmente despreocupados com a política e os políticos preocupadíssimos em votações peremptórias sem fleches coberturas despercebidamente evoluem as mesadas mesmas sem o pleito dos belos viris incorruptivelmente despreocupados com a política e a chuva chuvosamente noutros dias devasta casas expulsando ou matando os trágicos heróis morristas ou ribeirinhos que é a mesma chuva pedida pelos sem água a chuva malquista pelos com água que aguamente está em poços artesianos cisternas que aguamente traz o milagre da brotação escorre em filetes e se ajunta a outros tantos filetes e se ajunta a córregos e se ajunta a ribeirões e se ajunta a rios e se ajunta a bacias e se ajunta ao mar que aguamente banha o ensunlarado paraíso dos que vão ao nordeste para não falarem de política para não se lembrarem que a poucos quilômetros dali interior dali não chove a água que turisticamente sãopedro negou pois atrapalharia o comércio dos praieiros que aguamente chove cada ano menos e se chora cada ano mais para felicidade de poucos e tristeza de um tantão para um país sem inverno outono um país primaverão


enquanto meu pensamento caminha por nuvens de chuva meus pés trafegam por asfalto e cimento e pedra e nada uma voz no meio da multidão de transeuntes me pede um cigarro dou e taciturno continuo e percebo minha face rancorosa minhas sobrancelhas fechadas o rosto carrancudo a boca travada e assim prossigo inefável inócuo inerme sem ostentação de valores carregando apenas uma cabeça cheia de presságios agouros que alguns passantes truculentos olhares condenãosim minha postura desajustada e assim estaco-me diante de uma loja de vinhos diante do vício diante do vinco vinculado ao meu sangue de seda vermelha uvaça tintosa rubrosa o vício não me deixa prosseguir o atendente me olha com promiscuidade deve estar pensando meu desalinho a mente expressa através do olhar seus horrores cargas lançadas tomam meu braço e o rosto do atendente é atingido louco assim não me interessa o que sucedeu não me interessa costuro as ruas apressadamente chego em casa saio novamente meu destino é comprar queijo quebro uma esquina inesperadamente um vulto conhecido atravessando a rua e eu vejo e é a pessoa com quem sonho e é a pessoa do retrato e é a pessoa dos telefonemas e é a pessoa que diz me amar e diz me querer para sempre me ajudar a construir uma felicidade a dois e diz sentir minha falta e diz me trancar em seu coração e diz me salvar da literatura e diz me curar as feridas e diz mentiras e diz asneiras e diz ilusões e diz aberrações e diz se matar é ela a pessoa escondo-me entre um poste e uma barraca de camelô observo-a distraidamente e vai e some entre outros tantos camelôs e transeuntes e esquinas de clubes tanta gente se acha e não sabe que não é nada nesta vida pequena e angustiante da qual somos torturados e cada vez mais insuficientes insignificantes não há os grandes planos as grandes idéias os grandes homens há o dinheiro e tudo gira na roda do dinheiro e era a pessoa que diz ser tudo e não diz nada retomo minha postura agora com mais cautela tenho de caminhar essa pessoa teria ido à minha casa me procurar ela a quem amei como tudo como um todo como um tolo como os poetas amam como os frágeis amam como sozinhos amam como os sem pátria amam o retorno como os sem teto amam a fortaleza como os despudorados como os animais o amor são duas pombas uma viva e uma morta abro os olhos meu quarto está quente levanto-me abro a geladeira fatio um queijo azeitolivorégano abro um vinho derramo bebo e o queijo cozido mastigo e seus vermes mordo e deitado sei brasi{ne[amar(bra-ser-nco)elo]gro}leiro

ríspido riso felicidade fácil alegria escarrática aos infernos os que tentam ler minhas formas de sorrir pois risível írrito será e mais írrito risível será o instante agora rio o meu riso que é meu difícil de expressar duro de sair não me venham com fôrmas de sorrisos é preferível o escarnecido é preferível as cartas sobre fanfarrão minésio soberba das letras e não o podre dizer mal dito sobre meu riso


triste triste triste caminhará sempre a alma do poeta
é toda ela coberta de visões carnificinas extensas
calcificada pela lei leteia
por entendê-la apenas no silêncio noite fim
temeroso sono sem galo tantas vezes apercebido ante o momento
da razão esvair-se e da noite fincar-se em estaca na sutura do peito
e então cada semimortocadáver antes do suspiro uninasal pensando
pensa
a densa massa cinzenta concebendo passagem deixa unisomente
a unidor do semimortocadáver uninasal gritar o pensamento ao pensar
e sozinhozinho da silva sentir a univoz da múltipla forma de esvair-se


no vestíbulo deparo-me com uma moradora que conhece e admira de mundo carne e gente casco se me guiasse ela por algum caminho seria eu um ser seguidor se a guiasse seria eu um guiador começa ela a subir as escadas subo atrás vem-me uma voz vozeando anima viva afasta leitura lida relendo leitura ruminando minha mantua me genuit caminhar caminha frente e caminha atrás não o medo maior é o medo arrependimedo melhor pois caminha quem tem cabeça vida limpa livre o corpo cheio esperanças melhor caminha quem caminha em ida mundos em que só se habitam feras lagos em que só vivem demônios infernos que só se sentem dores possuído impossibilitado arqueia o corpo meu neutrino e a cada passo vago vão escalado de vago desce desço valas giros estalo

eu acordo e recordo e levanto e eu levanto pensamento e eu ando e vejo quando acordo vívido recordo e eu assento e eu na cadeira e minhas mãos e eu livro e eu levanto pois levanto encucado pois eu vi pois eu senti e eu ando e recordo as borboletas e eu e as borboletas coloridas infinitas e eu continuo e as borboletas se agitam e eu sinto o toque e eu e as borboletas se batendo e eu e suas asas transparentes translúcidas desordenadas chocando-se umas às outras e contra meu corpo agrippino recordo e eu quase me alegro e eu deito e eu calo encabulado pensamento de meu e eu ando e eu deito e bocejo corpo esticado estirado curvado enrolado em rolo coberto em coberta encoberto corpo flexível flexionado em concha em colcha de retalhos pensamentos e levanto lembrança viva e vivo abraços sem braços e vivo abraços sem vida e vivo abraços facafacando as lembranças costas minhas em meu eu que alguém me deu e não enxugou desgraça e não limpou agonia e não tratou repulsa e não costurou se finge e se esgota em mentiras em surdina emboscada por não ver em gente que é gente uma probabilidade de começo estar junto por não pensar pensamento puro de pureza de alma amorosa



tempo árvore em cima tronco escorando corpo arqueado sobre mundo verde vento cosquinhando o nu do tronco estirado ainda não suportando a cabeça pesada e sim harmonizando braços e pernas e as mãos segurando tempo aquele a cortadeira descascadeira pingando sumos vulvos e as mãos abrindo o gomo doce levado até ao oco triturante das células a olho nu vista que vê e olha e arrepara e arranca semente híbrida da fruta umbigo de fruta dentro de outra fruta que é fruta laranja que é fruta grande e de umbigo laranja e fruta baía descascada duma só vez duas frutas que se depende do tamanho mais umbigo mais fruta mais maior gomo de todos que pesa quilo e meio sem mentir é só vê na minha mão o grande arredondado pomo arbórico de árvore em conjunto onde todos ali são frutos e mais frutos e não são chamados de frutos e sim de pomar o tempo


o que seria compor a vida viver em flores sorrir felicidade pacificar família corresponder paciência morar no morar do outro o que seria amar sem o dinheiro o carro a casa os pertences os presentes do outro o que seria aceitar o filho aceitar a filha aceitar a mãe aceitar o sofá aceitar a esmola do pai aceitar o uso do corpo aceitar qualquer pressentimento que a princípio pareça solidário o que seria atropelar os princípios atropelar a razão atropelar atropelar o outro o que seria viajar em chuva viajar em vento viajar em sombra viajar em corpo viajar em compreensão de idéias se o que vem de cima bate se o que vem de cima bate se o que vem de cima a cima de tudo bate e quer impor com a força com a faca com o valor matéria que é apartamento individual voz que fala pedra que pulsa no peito se o sol solitário se anima se o sol solitário se vê acordado de noite querendo sombra de uva vermelha se o que você é é um fragmento um filete fatias de valores um areiamento de valores que lhe faz não sentir o objeto vida e você deve ao banco e você deve ao banco e paga juros e você deve ao banco paga juros e seu salário de desempregado não cobre e você tem carro e celular e deve ao banco e paga juros e come macarrão com água de batata e tem celular e carro valorosos para você e você chora a cobrança do iptu e chora a cobrança do ipva e você chora a cobrança da conta do celular e você chora cobrança bancária e chora quando come macarrão batata e arroz e chora ao acordar onze da manhã e chora quando não tem gasolina e chora quando não tem crédito no celular e chora o telefone fixo e você não se emprega e não anda de ônibus e não anda à pé e ama o carro o celular os sapatos as botas as sandálias as saias as calças o perfume a soberba e por ser fragmento vazio de si não percebe quem lhe arrasta e sonha mudar-se para onde se consome mais e sonha em mudar-se para onde se paga mais e vazio como você anda vazio de tanto vagar vazio pelo vazio aparência vida medíocre você é incapaz de se ver mísero na angústia que lhe consome no corpo que querias comprar para ser no amor perfeito que lhe aceita perfeição espelho de beleza mas você tem estrias a pele cheia de manchas e se não se perfuma fede porque seu suor é tóxico e ninguém lhe aceita em grandes discussões porque você joga-baixo sua fala é óbvia seu caráter é comum seus princípios são vis sua mãe agoniza a seu lado e você se deita e espera a sincera mesada seu pai é frustrado alcoólatra você é insensível você tem o rosto coberto por antolhos você é incapaz de se ver na angústia que lhe consome você é incapaz de se ver na roda que lhe roda você é incapaz de ver a mão que lhe empurra e lhe mexe porque você quando mexe fede como merda você quando mexe é porque está sendo mexida o que seria compor a vida


encontraram a vaca estendida
aromas de valores materiais devaneciam
imundícies humanas beliscavam as narinas descobertas
a língua roxa cansada descansava sobre um ramo de taboa
a baba subia pro céu no lombo das moscas
as moscas eram muitas
tantas que fez chover nos olhos do menino
que fez chover acima dos olhos do bigode velho
raízes cresciam das patas abióticas
subiam por entre costelas débeis
abraçavam chifres verdes
a alma desvalorizada olhava para dentro do céu hirto
das tetas invisíveis jorrava leite para dentro dos bicos dos urubus
negros anus observavam silenciosamente os olhos que viam
o barro mole lambia o cu atolado



o quarto está claro mas mesmo assim não consigo me ver diante do espelho que está em minha frente eu de lado de bruço na cama a cama encostada num canto e o espelho com 1,10 de largura e 1,80 de altura chumbado na parede possui ele uma trinca na ponta que está à minha esquerda que eu não consigo ver assim deitado com essa colcha cinza por cima cor mesma da persiana da parede branco gelo a cômoda está do lado do espelho e a porta de frente para mim a claridade é constante mesmo com a persiana fechada e nem por isso me vejo hoje coço os olhos e esfrego com força para tentar mas cada vez mais é embaçada minha própria visão no espelho parecendo mais uma forma desfibrada pusilânime sem cabelos vermterra uma forma não perceptível o que me revolta a tranqüiliza e se me mexo parece sair torrencialmente vômito da parte que suponho ser a cabeça e forçosamente ao que imagino ser minha boca

e não me resta tanta lembrança e não me resta tanta vontade e não me resta tanto vinho nem tanta disciplina e com preguiça de sair da cama movimentos aleatórios fazem com que me enrole mais e mais aos pensamentos e as costas doem e os músculos ardem e eu deitado sem me ver olho para mim em eu deitado e confundo-me e forçosamente me toco de fronte do curral velhos mementos sigilosos de criança trôpega pudica correndo para si para ouvir a mão do vento debandar a moita de bambu verde e se abster ali e se esconder ali de todotudomundo naquele lugar uma cruz um padre morto moedas de ouro casca de ovo de cobra e a voz do bisavô ao fundo mitificando ali era mundotodotudo e a criança se preservava consigo e rezava baixo às cobras ao padre ao vento uma jaculatória precária de entendimentos mas suficientemente satisfatória e bem treinada pelas insistentes idas à igreja aos finais de semana uma memorização exata e cuspida sempre uma rajada de vento debandava os bambus e dali saia um som melodioso extasiante e eram as mãos do menino sentir o frescor sonoro e suas carnes se demoniavam e eram suas mãos carcomidas de chão as têmporas telúricas delírios pois ali já não era um menino eram imaginações visões vozes sistros sequiosos regozijos lundu frênito frenesi o corpo arqueado arquejado a frecha o frescor da manhã vestiam-se em música e ouro contorcia-se o corpo e não era dor os joelhos fincados no chão empedrados não era sacrifício em sementes que pela primeira vez fertilizavam adoração a ceres tellus terra revolvida pelas têmporas sarro tártaro sinto frio e sinto uma gosma em meus pêlos e sinto nojo e rio mas não me dá vontade de lembrar-me e aquieto-me e me deixo no frescor da minha vontade e me olho no espelho e me canso e o corpo dói como corte de faca amolada precisávamos criar o crítico questiono qualquer entendido de porra nenhuma vira crítico é assim em qualquer lugar julguem deus julguem a si nada e tudo sempre organizaram-se em mim de forma a desobedecer-me os sentidos primeiros fossem indo ou vindo de lugar interno ou externo há um vazio que fica e não se vai algo que é do corpo e foi e não volta

difícil diluir tanta verdade acredite é difícil seguir o pensamento humano o raciocínio do novo servo do novo verbo do novo modelo político da nova linguagem truncada atravessada requer muito o que ao fim de um discurso de uma investida de proporções extremas chegue com ideais de mudança e não de simulações inaudíveis claro dirão não gosto deste tipo de linguagem não me interessa o enredo é fragmentado mas na micropolítica faz-se assim serão agenciamentos a palavra levará ao abismo do conhecimento não mais o todo formando um uno e sim vários agenciamentos interrompidos interpostos palavras verbos empenhados em regular a razão não é fácil falar sobre política sei que se deve facilitar a língua a língua modifica-se lentamente e não serão os aristocratas os juízes os médicos os administradores os psicólogos os dentistas os ricos os famosos os magnatas os políticos os letrados os julgadores e sim os fomentadores da nova língua como foi o latim o latim vulgar será a língua portuguesa e a língua brasileira sairá das classes mais baixas as mudanças mais expressivas viva e veja leia e sinta não prediga vá mais além é apenas o começo ou você é do tipo que se cansa pensar a lógica cansa pergunto vá de corpo limpo não se muna de romanescos sentimentos hoje é hoje faço uma aposta vá mais além ao fim tudo será calmo o relaxamento do gozo


Tu do is to é abs urdo é incr í ve lque fa çoeu s ea mi nha ma io rpr eo cup ação é evita rque algu ém se aper cebade queve jotu doqu eées túpi docompare ceem tem pode guer rama ter rata nta guerr atanto enga not anta neces sidade avor reci daonde po deacol herhum fra co hum ano on dete rásegu ra a curta vida mas não ouso ultrapassar o farfalhar das escarpas auríferas nem as pontas pedrosas diamantescas desço para cima morosamente pé pé pé pé o rito de minha conversa frágil e copiosa verbaliza eu não chamo a isto já felicidade ao campo me recolho e reconheço que não há maior bem que a soledade acordo fora de mim como há tempos não fazia acordo claro de todo acordo com toda a vida com todos cinco sentido e sobretudo com a vista que dentro dessa prisão para mim não existia o galógio bate suas cocoricadas em minhas têmporas gastas calva cinza podre meu amor que aqui guardo se envelhece e se vai trôpego carcundo meu tempo agora está só minha antiga visão postunada espanca pensamentos bons sinto um batalhão de ratos insofríveis amassando e roendo minha massa cinza as têmporas latejam me vejo indo e levo no lombo um jeito de amar já em desuso carcomido levo no lombo as raízes mais profundas da minha família e sofrer do campo o sofrer estampado no olhar de todos o sofrer de quem sofre por possuir virtudes nessa idade virulenta de tempos ó drusilla temo o envenenamento eu algoz de mim eu semeador e coletor do que planto individualismo cosmogônico vai mundo e destarte também comigo vou e sem ser o eu preciso o qual a sociedade rumina em ensinamentos busco refúgio em valor e linguagem próprios o quais acho suficientes teorias tais que não as vi em instituição alguma e nem ninguém terá conhecimento se as não buscar em mim eu senhor do meu nada eu que necessito apenas de um teto uma vestimenta e alimento básico eu e sempre alguém para me entender enquanto não me mudo de mim e desentenda de mim e precise encontrar outros entendimentos e ser-me outro a procura de um eu mas isso é tão sofrível e solitário e eu temo meu desgaste e a minha ruína temo


(akabul sem um de quê) adianta fazer e proporcionar mais produção se propor refazer em proporção perhiper pol(is)(m)uída algo semitivo tônico finnicius cabeceira tudoodut pré coce esc ex(it) não mais coisa chinfrim sim ahnapa cabul peeuatrousaleo estadesunidameri ka bummm não voz de traz revém trazem sustenido oco modal esses que vem riba prego martelo batendo cabeceria se fosse fossa não sou eu de teu sangue atroz olho de cobra nariz de pinóóóóóóquio sai sai sai e não volta mais pois paixecaepacedeirf e se querer seu é suficiente para findar mundo povo faça e faca cortar via todos veia sua sanguessuga lata de conserva bolofofobobo faca cortar via raiva se querer seu é mais maior que tudo faça e peixeira parirá anca sua useua busanfeua cususa

uirari sim ainda uirari não sim ainda sim sim uirari não não uirari ou apenas seria amarcord ou lembrança ou cicuta ou um gosto mineiro de tentar por enforcamento prazer liberdade rococó ou rachatinsanité ou tamandaré ou noé pergunto tamandaré ou noé mentiras ou o mito em espalhamento pelos povos e o mesmo cataclismo cosmogonia porvir ou devir onanismo mental viver à mercê de tanta porcaria televisiva radialística e tudo o mais tanto mais fácil pormenores caseiros assentados em casa tendo o nada como visita e amigos almoçando e ruminando as horas de sábado e domingo dormindo ou dorido quando se não pode ver o programa porque uma só tv para dois e às quatro horas é do futebol a maravilha a maravalha e nem mesmo as coisas simples se pode fazer neste momento maravilhoso neste monstrento carnicioso quando o homem a lata a cerva o copo a boca os olhos estão ajuntados e não mais há tempo e apenas a espera para esperar nem a ida na casa da mãe ou dos amigos ou até mesmo churrasco no sogro nada nem clube para a cria nadar nada mas nem por isso saberia a vida do desfeito que me fizeste e quando lembro do amor e nós sempre juntos no sempre amor sempramar resolvi porque o amor o amor o amor que eu te amo tanto e amiúde voz variante minicd gravação voz vozeada coisa que não fazia já há algum tempo mas eu sei que o motivo era que eu me guardava e não queria confundir vida e talvez não tenha me mostrado a pessoa que lhe não falava amor amorosamente mas fica neste pequeno eu palavra que você sente agora palavra amor você palavra eu amor você e eu palavra contínua simplíssima palavra amor que vai se desdobrando em amor por você e você para eu palavra amor se desdobrando em palavra eu para você eu e você você e eu palavras palavra euvocê até que mais que juntas tornam-se evoucê voecêu compilados ajuntados amontados cima em cima amor amor ser amor ter em amor crer em amor perder-se em amor fundir-se em amor sandices em amor amargo amor amar o cheiro perfume amor amorcetinha linda e raspadinha que a minha língua amor lambe e lambuza o clitorácido clito-lambido clitóris prostado em posição ereta e você amor arrepiada e tremula as pernas e um amor mordidinha na aureola do cuamor mais amor ainda é o cheiro de caverna que a caverna eleva e sucumbe eleva e sucumbe eleva e sucumbe e se afunda e sabunda cor de java varada por rebuscado amor entrudo amor mas o amor amor que eu te amo amor que eu te imponho que te enfio e varo amor em ti e que gemes amor em ti e gozas amor em ti eu entrudo fundo fundo lindo amor que gozas em mim e chupa e limpa a ponta do meu caralho e depois sim o futebol a lata a cerva e agora sempre depois de tudo resta-me uirari harakiri

meu caro suplante suas raivas repinique seu desgosto amorteça seus repuxos rascunhe seu ímpeto assim você não consegue nada você não é nada com essas idéias as idéias não são porra nenhuma trate de mudar sô eu vou o quê você me quer sucumbindo não sou pessoa de meias palavras de medidas sociáveis de caráter agradável não suporto tolerantes não me enquadro em instituições não rio à toa qual é cara vai me dizer que sua natureza é imutável inamovível seu pensamento está mudado um ano atrás você era contra a abl dizia que todos os novos candidatos eram em sua maioria políticos de direita ou néscios ditadores ou escritores de autajuda apenas pompa e status e hoje você é capaz de fazer qualquer coisa até dá a bunda para sentar numa daquelas cadeiras não é assim não sô não apela não sei que se um dia acontecer aconteceu mas eu não me assento em nenhuma daquelas cadeiras nenhuma instituição filantropia ou o caralho a quatro não me faz a cabeça machado de assis deve estar xingando meio mundo hoje de onde ele está seja lá onde for fora os encontros para tomar chá que coisa mais bichenta só mesmo tendo um ânusolar para suportar tanta bosta politiqueira junta


esse bileti foi ela que pediu para você me entregar mas como assim ela nem está aqui como assim para mim é meu amigo a noite continua amiga vê a sorte lhe abraça sorria o dia parece vai acontecer vai acontecer sim e eu que pensava ser trouxa existem várias formas de se fazer uma canoa vou mostrar como se agarra um peixe calma sô vai vê que ela tá quereno que cê corre trás dela não sei mas vamo tomar mais uma a saideira por favor e a conta


falta me que o é mim em sinto mais que o que me falha o tornassol o torna sol e me torno o destornarsesol o dorso mole as mãos bambas as pernas pesadas uma estorva velhice pre coce pre agonica pre a dor premorte pravu justu num giro do jirau estrado de vara que vara meus ossos e escorre um suor salivoso e o que mais sinto em mim é qualquer coisa que não está em mim é qualquer coisa que se afoga em mim é qualquer cousa que causa fraqueza em mim eu em mim e e revolvo e revolto e recorto e recordo e relembro e refaço e retenho e rebusco e retardo e resolvo e desresolvo e desretardo e desrebusco e desretenho e desrefaço e desrelembro e desrecordo e desrecorto e desrevolto e desrevolvo e cíclica falha minha tornachuva grischuva infecta inapta candidanegra prétito presto lento arrasta pelo sangue por um órgão por um osso uma pele com presteza lentamente um malígno benígno pensar tumor preterido pretendido pertencente sem ninguém


nozanina aurecuá couaá casaetê minérios matéria malsinada malina malfadada dada dandão mão dactiloscopia pouco relativo auru itáîuba elemento ouro de lei de número ouro da água atômico amarelo 79 metálico dúctil maleável denso auru de tabuleiro ouro fino ouru negro ouro verde 78 ouru branco ouru de gatu oiroefio ouropel ouros espadas curingas paus itá itáîuba kanhema karaíba moreaûsuba moxy piryty anhanga serubu angaîpaba abá abápe akuba peró cu abaeté serubu îobasab nema pereba aby aby aby historicidade hodiernu o que não foi comentado não o será nem será lembrado permanecerá no inconsciente lido por quem abriu cabeça comeu comensal miolo vívido macio ao longe enxerga sensações alma cerebral mastiga pensamentos rumina ruídos rarefeitos rarefatos rarefatos gato e rato e bago e saco trato e trago neurológicos nau eletrocorpusespectro reminiscêncialâmpadafogofátuo idéia razulescente iguarias não provadas ainda posta pratofeito principal cozinhado temperado alhosal doce olivazeite separar incomum miolo mioláceo violado mantegado anímprobo mastigalido demônios

você já começou a escrever a peça fiz uma parte que talvez pode ser um princípio é uma mulher conversando com uma planta ai entra um cara defendendo uma causa humana assim arrastando uma enxada e ai entra um coro cantando assim
Coro
Toma Ceres sua satura
É o que temos. Agrário
É o que somos. Cachaça
É o que resta. Memória
É o que falta. Modéstia
É o que salva minhalma
(Finaliza com música de Rafael e Luizão)

amar não é hora de pensar em começar melhor nem pensar a possibilidade ou ele não saberá de nada mesma mania de me cutucar as escarpas minhas piores horas ou quando estou naqueles dias ou quando algum idiota me dá aquela cantada ou olha demais para meus seios parece fica vislumbrado com acho até que sente saudades de sua origem e mete o olho como se estivesse com fome e me enervo e escondo meu corpo quando ele também vem com os mesmos olhos dos filho da puta da hua fedendo a barba mal feita igual gente suja má vistarruim pensamento mau que causa mal funesto e pensando pode chegar assim me dando umas encostadas por as mãos sujas na minha bunda e por dentro da calcinha passar os dedos e subindo ah meu deus meus olhos umedecem menosprezadamente me chama para a cama quer me comer cospe no dedo e enfia na minha bunda e eu quero chorar e penso o quanto a mulher ainda se submete a tal ponto de deixar o cretino me comer em pé mesmo a saia suspensa a calcinha presa por uma das mãos fedendo o pau cuspido enfia em mim até molhar-se e depois enfia na bunda e depois enfia na frente e enfia por traz e me machuca e fico com corrimento e infecção urinária e eu sentido uma dor de arrombamento parece que vai sangrar os meus lábios ardem e eu de dor faço gemidos e ele se acha e já a alinhar-se com mais força e eu sem ele perceber tento empurrá-lo sutilmente para não desanimá-lo ele com mais força não percebe minhas feições de dor e eu para agradá-lo viro minha cara para a parede e penso no tempo em que eu namorava com ela mas ele peca por ah quando éramos meninas eu e ela brincávamos e carinhosamente éramos crianças nossas melhores lembranças são os tempos de criança eu e ela brincávamos um mundo nosso e isso perdurou todas as nossas descobertas o que era de uma era da outra mas faço tudo para ele não me xingar me chamar de vagabunda e dizer que a única coisa que eu sei fazer é macarrão era tão diferente tão bem mais gentil carinho sempre ela me perguntando se eu estou afim ou não na maioria das vezes eu dizia sim claro que sim eu já estava quente e úmida para ela sempre pronta e ela me vinha sempre com um mimo não igual a esse cretino que apenas me usa nunca me pergunta se estou bem desses três anos juntos nunca nunca me deu um presente uma lembrança um badulaque da feira ou de qualquer lugar tudo porque ele insiste em dizer que a culpa de eu o ter amarrado a mim foi por causa de nosso filho porque quem fica de barriga tem que casar e ele insiste em dizer que meu pai o forçou a casar comigo eu que não fiz nada para mudar a opinião do pai e ele toda vez vem com a mesma ladainha de que a culpa é minha que o filho é só meu que se pudesse mataria a criança mas eu sei que é porque ele está nervoso e então eu tento abraçá-lo ou simplesmente acalmá-lo mas ele se acha superior a todos e me empurra puxa meus cabelos e me bate me bate sempre e eu não sei o que mais fazer e então choro para não cometer um infanticídio e um suicídio porque eu sei que ele está nervoso e que logo logo vai passar sua raiva por mim por nosso filho porque ele está desempregado e no momento e vive bêbado porque parou no buteco para comemorar mais um dia e eu me sinto tão pequena nestes momentos e sempre choro choro porque não sei o que fazer e entendo que a culpa de certo modo de ter pegado barriga foi minha eu esqueci de tomar a bendita pílula mas ele podeira ter tirado na hora de gozar ou então se ele diz que gozar fora é pior que punheta enfiasse então na minha bunda e gozasse lá eu agüento calada e isso me lembra quando eu estava com ela e ela lambendo minha bunda e eu ainda não sabia que dar a bunda era bom e quando ela passava a língua eu arrepiava toda e eu lembro quando ela murmurou querendo enfiar o vibrador lá e eu toda arrepiada só podia dizer sim e parecia bom e era bom porque era feito delicadamente e ele passava um gel geladinho para não machucá-lo e eu dizendo sim enfia sim enfia e ela enfia dois vibradores em mim e lambia meu clitóris e eu lambia o clitóris dela e lambia o dela também e enfiava dois dedos atrás nela e três na frente e ela me amava e eu a amava e nós gozávamos juntas mas com ele é diferente porque ele me come com boca de desesperado e não agüento cheiro de bebida dele e é culpa minha ter pegado barriga desse ele não dá a mínima para mim pro filho só chega em casa para arrumar confusão sempre bêbado e me xinga de vadia de merda de um tanto de coisa que às vezes de tanto que ele fala eu até penso que realmente me vejo assim eu sei que são só delírios porque quando ele chega a sua janta está pronta sua roupa está passada seu sapato está limpo que eu mesma engraxei porque ele não come a mesma coisa todos os dias e eu vario as refeições sempre nunca ele almoçou o arroz do dia anterior nem nunca bebeu café esquentado mas essa criança que não para de chorar já não sei o que faço estou muito sobre carregada de afazeres estressada ave a parede o banheiro está fedendo tem muita poeira sobre os móveis o chão está respingado de alguma coisa que entornou isso me causa tontura ordens no meu dia a dia sou escrava do meu dia a dia não agüento mais ficar cuidando da casa já estou me enchendo desta vida e se a minha vida impor o ocaso a fuga pena que a vida não linguagem a linguagem dá ordens à vida a vida escuta espera se não fosse minha filha eu dava o fora ia morar com minha mãe um tempo com certeza estaria bem melhor mas todos dizem o contrário e eu sempre escutando demasiado esperando demais quando eu o conheci ele era bem diferente de hoje apesar dele bêbado no dia mas também eu havia bebido um tanto ele chegou à mês em que me assentava juntamente com ela mas eu não agüentava ela mais e eu precisava de um homem sentir o pau do homem sentir a fome do homem queria sal e pimenta e no começo quando ele me pegava de quatro e enfiava com força eu sentia entrando fundo e eu gozava duas três vezes sem ele ter ainda mas agora sei lá parece que bebe tanto que fica cansado e o dele fica meio murcho meia bomba e eu não sinto tesão nenhum fico ali só para satisfazer perna aberta gemendo fingindo eu sei ser fingida com ele ele também finge e essa criança que não pára de chorar mesmo ele querendo que eu tirasse a criança eu não abortei lá no metrô por isso eu fiquei sem fala naquele dia recebi a notícia da gravidez fiquei com receio de mostrar para ele estou exausta meu filho com febre não quero pagar pau para ele agora não porque em verdade eu o amo e faria tudo por ele mas não sou uma planta da qual ele pode aguar quando quiser ser podada e crescer para onde ele quiser da forma que ele quiser se ele pensa isso de mim tá muito enganado

oamorcomoamou durante o tempo juntos im in you uai ô ô ô ô ô aaaaa esse quase dormindo ou morto quase espero de esperar tempo de mineiro paciência de mineiro uai de mineiro mineiro sabe de ovos e choco a espera do dia seguinte menor espera melhor que matar a galinha e comer os ovos em caxudeuva sem casca óvulos milharelados e a bandeja de duas dúzias de ovos são doze dias na vida de duas galinhas o fone de ouvido apresenta aos ouvidos dimensão vária no tocante musical belíssimas melodiarmonias cabelos verdes aquela conversa no bar diz para mim o que o distanciamento diz muita gente ainda carrega o preconceito mofo da nossa música perder espaço para uma música de qualidade inferior saída de lá vem praqui como refazendo conceitos contemporraizando coisa de má qualidade muita lata sair do posto de quintal para o posto de lixeira me enerva por isso eu falei aquilo para eles lá no bar ninguém aqui de minas pode exaltar um seilá quemdefora sem antes conhecer a mina da nossa cultura tudo enterrado mas mesmo o lençol fundo que for encontrará quem mineiro for que é mineiro que nasceu entremontes quaisquer lindos garimpados por velozes pés de criança saberá achar o tesouro de nossa música e canção esperar espero o tempo de mineiro esperar tempo diferente o nosso e ela disse que é diferente que devemos aceitar o gosto do outro se pior é ou simplesmente inocente ainda ai apelei não é assim que dizem sempre que não aceito apelei mesmo então e todos viram que ninguém suporta algumas estranhas malícias me vieram dizendo asneiras e eu claro dei de falar minha opinião no meu serviço impossível não fugir para um lugar melhor ali desmantelo martelo mar tê-lo só pra mim mas eu me cansaria do sal e do sol muito rapidamente e eu me lembraria da água morna da cachoeira daqui e lá no escritório minha mineiridade a vontade de qrer + as águas do riochico + chuá chuá de chuva e cachoeira criar uma outorga apontando as fahlas malhad mini strativas digam feiam endief mas salvo o primeiro e o terceiro o segundo tem nariz em pé acha que acha dono de tudo todas as propostas feitas em semad possui na cúpula da feiam mais crédito mais autonomia não esqueçam que o primo não é pobre é apenas mais novo mas as águas o solo a bio e o riochico a outorga e a transposição que coisa mais embaraçada pensar é muito litro de água pra terra seca apenas deve-se lembrar que se deve fazer antes de tudo um orçamento e auxílio das bacias principalmente as mineiras para a vazão de água suportar três estados sem precisar negar outorga de água para ninguém um planejamento de estruturação das bacias reflorestamento e tudo mais OdlavsosvaldO hermeto e elis em montreux antropofágico ou o tenis de lô a página elétrica de beto e milton e márcio e brant e tanta gente junta e serra e lembrei sim sim me lembro alguém conhece a cachoeira do pirapora a de sobradinho a de paulafonso o porto das piranhas da sua nascente até a barra do mar deve medir + ou – em léguas 100 viraram as cachoeiras outra coisa mais importante para fontes energéticas hidrográficas do que preservar para que possamos ver e foi a viagem que fizemos para a província cárstica de arcos-pains-doresópolis aquela faixa de cerca 100 km formada em certos pontos por paredões de calcário que abrigam grutas e cavernas onde já foram encontrados fósseis inscrições rupestres fragmentos de peças de cerâmica utensílios e ferramentas pré-coloniais urnas funerárias além de pichações garrafas plásticas a bacia do chico abrange uma superfície de aproximadamente 640 mil quilômetros da nascente no parque nacional da serra da canastra aproximadamente 505 cidades fazem parte de sua bacia a cachoeira da casca d’anta em na reserva de são roque de minas ostenta beleza no balé das águas na suave queda inerte os olhos chegam a se comover com tal pirambeira na região de piranhas sufoca inebria o rio pará o rio paraopeba o rio das velhas o rio abaeté o rio jequitá são de extrema importância para a vida do chico eles são o chico a viagem me custou 8 fins de ano 8 férias planejadas que nós percorremos da nascente até pirapora região que compreende alto são francisco o amoramou decorre nem sei como pensar já fomos em lugares vários ó lolita linda lolita minha quæ

cada corpo que cai no hemisfério arenoso referenciais sombrias destacam-se como velhas formas fontes fosfóricas flexíveis animadas pontas resumidas ressequidas implantadas cérebros semimortos carna dada vermibus fátuo fogo fátuo flamante flamívero rubroso resto demasiadamente humano ossos permanentes caixa precedentes civilizações ante eu peró cu ruga anhangá milho mandioca solidão espelho cunume aba eté singular sistema porção marnaungústia salivação mórbida pérfida flor e é tudo azedo e é tudo só e é tudo menos e é tudo cinza ainda é tudo feio podre urbano mega metro polis pobre pueril província alien ação urubu come cu amolado sede azeda escarro barro vaca morte morte morte e mais quero o que não quer o que se deseja lugar comum roda gigante arrasta via pensamento frágil fraco frio não o forte e mais quero querer mais ainda que por sobre o olhar alheio mal quisto não visto ser dito olho no olho nariz não cresce do corpo que cai no hemisfério arenoso fosfórico semimorto cadáver pensa pesa tesa buraco agônico fura na sutura do peito fere na sutura do peito fura finca enfia fere tu bolor trópico lamento oropeu urupês papagaio oca maloca whatwriteman pus agônico papado crismado cismado cagado mendigo espelho cegado is he et pulveres homini sós vós voz semelhança resto de saliva e porra peró sífilis oftalmia gangrena tuberculose die cidades invisíveis


quando nada de nem nunca de nada não ou nem nunca de tudo vão a agonia do grito de um surdo homem na multidão ou sem proposição a desordem elegante do brochar de um garanhão ou a sem mão das cem milhões de mãos negras não roubando não pão os sem peles dos sessenta mil de brancos não fugindo nunca das não mil morais étnicas sem não corrupção que nem nunca de nada não nação de nenhum homem todos homens sem cor sem nome cem irmãos sem mil reais em loteria de bicho pato macaco ou pavão da sorte não bruta dos guardas no pavilhão dos dentes não pretos dos negros não santos sem casas sem pontilha a forquilha do pontilhão dos não mais tais excelências donas e da não nação de sempre vivas razões de não punição do exército ou do patrão do morro ou não ou tudo vão de sorgo ou limão com cachaça ou laranja vodca ou foda ou não ou sim de não sim não que vem ou fica ou vai outrem ou ninguém ou não ou sim trezentos e cinqüenta mil turistas no verão trezentos e cinqüenta milhões de vítimas de explosão de carro ou avião de bombas ou de tufão de gripe ou de coração do joão ninguém que sai de traz e nem nunca quase que chega e vem e nada e do sim ou do não a ordem dos labéis da imperfeição


não não entendo o que está acontecendo não percebo o que faço contigo e com migo mito ou mente e você não se abre e você não se acha e você se devora e você se arrebenta e você se destrói e você tenta um disfarce burrice sua burrice tentar entender tentar gostar amar tentar ou simplesmente tentar e jamais com seguir com si-go(od)star só tudo muito super fluo mas são demências dormências cariências um bocálico sujo sem (a)mor te não serei aceito aceitado por socializes alguém transitante ambulante me dá vontade de quebrar os vidros das lojas com roupas caras me dá vontade de rasgar as roupas que custam acima de vinte contos in pre vis tô veno ocê que quer quereno em verdade de boca fala para mim lojosta sobre ser e não gosto disso não ser o óleo propulsor para eu máquina com pus siva e amor eu não gosto de gostar sempre ter de assentar eu gosto assentar à mesa e cum eredi cum los hermanos mesmo que sua família não aceite mesmo que eu tenha cor mesmo que eu tenha vícios mesmo que eu tenha ranço mesmo que eu mesmo que eu cague um objeto gosmento fedido e mije uma coisa rala mesmo que eu queira um filho brasileiro bem misturado é o demônio é o minério eu querer tudo vou vou sim e não se fala mais e que minha família também não lhe quer pois você também tem sua cor e são passados e misturados nós nos nós e são cores misturadas nós e são sons misturados nós oceano nós e se entendes de demônio eu de minério meu escarro é igual ao seu escarro meu sorriso é branco como o seu minhas mãos são claras e também as suas temos a mesma raça humana fedemos de mesmo cheiro humano e você não quer um filho comigo se não carregará um bicho e todos vão zombar de você todos os vãos vão regozijar sua presença vãos vão ignorar seu passado por terquerer um filho bicho que mais parece uma lesma que mais parece um bosta e que fede igual à mãe são cores diferentes são cheiros mas com o mesmo sangue mas sangue para você para a sua família e para a minha ou é branco ou é negro ou é amarelo mas eu os mato mato a todos mesmo é só me encher o saco e o que é sua cor sem a minha se você é o conjunto de cores eu sou o reverso se você é a ausência de cores eu sou a presença se você é o minério eu sou o demônio


negro todo ele ira negra cem por cento kayana doce d’áfrica mama os dias se tornam cansados pra mim eu me lavo eu me mostro coegito minha luta aqui na terra deusreina mundo menos reina jardim que plantou deus não existe mas aqui era obrigado a ser cristão diferente fincam quilombos hoje de tijolo e cimento quase todos negros sempre ouço pesam sobre mim não ouvir música preferida sem sentido aparente envolta atona volta sem fim sem jardim sea not querelas solidão tão vasto mundo tão pequeno homem o jornal escreve revistas colorem internet saçarica maior jogador de basquete de todos os tempos is black maior jogador de golfe is blackboy o maior velocista é negro o homem do futebol é negro o esporte é negro falta-nos ainda homem negro assume a presidência do brasil mais mas agora lançar negróide assalta ônibus picardia as plantas são egrégias curam males eméticas absortivas diuréticas fantásticas das nativas africanas banana-prata cannabis café tudo e nada vieram e irão ritornelo conceituário confliterra ganhada a alforria sem terra devolutos subiam serras macacos arvoravam casas calangos carrapatos sem rumo travel volvem vela favela falácias negro lendário negro minéiro chico rei chico negro fulia de chico história de xica ouro negro diamente e ginga e francês não viu jogador sim viu e vê eras e eras rasgadas no ar luta étnica num vôo acrobático o negro rei do ar desejando a exclamação ao continente branco o balé inesgotável o salto as pernas por sobre a cabeça a bola os pés a bola a rede babem ínfimos colonizadores se nos querem em terra podemos voar façam o que façam eu vos destino a ginga bravo! bravo! dirão os mais exaltados olé! olé! dirão os mais atrevidos mas eu digo nada sei apenas danço em campo de grama onde a bola branca é a razão e o negro o demônio como faiscador em terreno virgem tá lá o negro abrindo um rasgo no jogo inglês o pulo de joão o salto d’santos sucumbe a lógica néscia o néscio juiz nasce e nos ferem o prazer a gentileza de popó o pelé majestade e todo pele negra embevecida ri e mete e fura e vara a bunda branca o cu delicioso e rosa da moça que geme e goza o chouriço do macho e nasce o povo novo e cresce o tronco novo e brinca o jogo todo sempre renovado entre as linhas brancas do campo sempre verde e amarelo e azul e o cu escuro e profundo as coxas roliças e grossas tudo e vagina e bunda e lembro o que pensava minha cabeça fica pensa e são mil coisas pensadas e outras tantas além algo que vai e vem e didi robinho leonidas ronaldinhos romário dida júnior juan pelé zizinho dadá jairzinho como o antigo amor que quanto mais velho mais amor vou e vai você vai e vem você antigo amor que me aparece em meio a um discurso sobre o futebol você vem e me tira e verte imagino-me traço seu corpo entre as palavras no meio delas entre as possibilidades todas diante de uma estrada de ferroquevaisedesenhandodiantedosmeuspensamentosqueseafloramsemeia de ferrouaiseatrevidofosseabrincadeiraaconteceuinesperadamenteosferríferos de meio torto o que penso e me digo qual seria a situação do correio e sua cpi o que será do mensalão eleição de deputado custa 1 milhão 1,5 milhão de reais mas a média da prestação de contas é de 100 mil reais para senador são 2 ou 3 milhões mas a prestação de contas é de 250 mil reais em média a reeleição eu pensei em minas e sempre considero o brasil minha casa mas eu pensei em minas e me atormenta outra idéia de roubo político e são todos brasileiros jovens que aprenderão a dignidade de ser brasileiro mais que políticos brasileiros um abraço penso um abraço em meus amigos os quais chamo-os nação de todos todos sabem os problemas de cada estado governamental seca em uns excesso de chuva em outros violências em muitos descaso à biodiversidade em todos o brasil é o país da biodiversidade diluída acabará


Agora serão seus olhos os seguidores e eu o guiarei por um caminho ainda não lido, recoberto por atrativo dissimulado, repto espero; para a juvenilidade como para a senilidade é algo novo do qual não se depararam. Interessa-nos, primeiramente, que se firme uma grande amizade entre nós, fortificada por sinceridade e confidência, conflagração para nossos sentimentos mais remotos e ainda não explorados; vire-se e force a mente para o diálogo mais impenetrável qual deflagrará jamais em sua vida única como ser humano. Acomode-se, para relaxar deguste boa bebida; há de se fazer sensível, intrépido, se conseguir, se possível, e eu percebo aí uma necessidade viva; se a amizade está para a confiança e a confiança está para a amizade, eu estou para você e você está para mim; ou então, você poderia ficar só, na cama, ou se importunos incomodar vá para o banheiro, tranque a porta, beba um gole. Há algo imprescindível para uma boa leitura, estar concentrado e de preferência só, inda mais para a leitura que irá se iniciar. Conscientemente tire suas roupas, não se envergonhe, estar nu é como estar vivo, livre, humano; tire a roupa debaixo da cobertura, não sinta vergonha, isso, pode tirar, assim, isso mesmo, aguardo e espero, isso, se sentir calor tire as meias, se sentir frio vista-se da cobertura dos meus olhos. O corpo nu é a imagem sincera do que é o corpo nu; em movimento, é a imagem sincera do que é o corpo nu em movimento. Sinta-se confortável, beba mais um gole da bebida que lhe acalma; eu, quando quero calma, penso na nudez perfeita dos olhos meus criando a visão perfeita do corpo nu, o corpo nu que minha visão absorve e me ilude. Pegue, rabisque um arco por sobre as voltas do seu sexo e acaricie. Acaricie sutilmente as partes rabiscadas do arco em sexo e friccione com carinho a si. Envolva-se em desejo e complete seus sentidos com carinho ao acariciar-se; vejo em você os olhos prazerosos e a boca quente e prazerosa de ver o corpo nu e acariciando-o privativamente para mim; assim, faça movimentos delicados, assim, isso, faça mais, isso, a nossa cumplicidade é espontânea e coberta de carinhos. Percebo a formação rija que se forma em seu meio e úmido. Sem largar as mãos de seu sexo macio e peludo, acaricie com a mão suas virilhas, assim. Sinto-me em condições, dada nossa aproximação, pedir-lhe para com uma das minhas mãos segurar o seu livro para você poder, carinhosamente, sensibilizar seu cuzinho com a ponta de seu dedo indicador bem suavemente, assim, em todas as dobrinhas, isso, assim... incita seu sexo com mais harmonia, um pouco mais ávido, assim, isso, tranqüilize seus impulsos, isso, assim, com as duas mãos abra o orifício anal até formar-se uma caverna úmida e desejosa; deixa que se for o caso eu viro as páginas do livro enquanto você se faz para mim; esta sua sensibilidade deixa-me excitado, ver a beleza de seu sexo diante de meus olhos e saber da confiança depositada em mim. Sinto-me suficientemente capacitado para dizer-lhe o quão belo somos nus; peço como aproximação maior entre nós: deixa que eu com a outra mão faça carinhos em seu sexo; vê, eu me encontro sensível para também agradar as vontades suas; para que eu possa ver da caverna a abertura com as mãos de meus sentidos, peço para acariciar-lhe o cuzinho também, o contorno de boca travada, seu sexo saliva minha boca; que delícia, assim, mostrando-se carinhosamente igual a mim; minha boca baba diante de tais movimentos. Esse carinho em seu sexo... se continuar assim o gozo será, virá amavelmente; enfie cuidadosamente um dedo no seu orifício anal, assim, se doer, deixa que eu salive por sobre ele com minha língua, ah! que bunda gostosa, vejo que está arrepiada ao sentir minha barba roçando e a minha língua friccionando esse cuzinho fructlívido e cheiroso, todo bom hábito é um início, todo bom início é um vício... vire os olhos
não faz assim não
assim o quê
não faz assim que dói faz com mais calma
eu estou calmo
mais devagar
eu estou devagar
é que não está muito molhado ainda
não estou sentindo dor
mas também você não sente dor
tá te doendo
agora não, faz com mais calma, só pedi calma assim devagarinho isso vai mais um pouquinho calma menininho vai com calma se não vai cansar rápido assim isso vai mais assim mais mais isso isso vai calma isso uumm assim eu gosto tá começando a molhar gostoso isso enfia assim isso meu menino enfia assim com mais pressão isso mais calma isso isso enfia vai pega nas minhas pernas assim gostoso assim esfrega assim isso uumm com pressão assim vê como é gostoso assim pega nos meus seios isso aperta gostoso isso ai que delícia vai enfia enfia mais segure minhas pernas em cima isso assim enfia fundo mais assim vai assim mais assim isso fundo assim ai que delícia meu menino assim ai assim eu quero de quatro me pega de quatro devagar isso enfia enfia mais bomba com força assim pega na minha bunda com força mais isso ai que gostozinho enfia bomba ai ai ai ai isso ai ai ai ai vai vai vai vai ai que delícia mete o pau em mim assim mais isso assim mete meu amor mete com vontade isso agora a minha bunda tira seu pau esfrega na minha bunda até ela ficar toda molhadinha ai que delícia esse pau quente na minha bunda agora enfia na minha bucetinha de novo e bomba gostoso meu amor isso vai que delícia agora enfia seu dedo na portinha do meu cuzinho isso assim ai ai ai ai ai enfia vai assim vai enfia dois dedinhos assim vai ai que delícia isso vai vai com força enfia com força mete mete três dedinho no meu rabo meu bem vai assim assim eu vou gozar ai ai ai ai eu vou gozar isso mete mete mete enfia no cuzinho come minha buceta força no meu cuzinho força com os três dedos bomba isso isso vou gozar ai ai ai ai eu ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai ai aiaaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaaii


são uvas de orvalho que aurificam ventos enevoados nos pingos de flores que traspassam vielas tortas de morango encobertas por mexericas avermelhadas fumando detrás de palmeiras embevecidas em laranjas rosas-choque que trepam e comem seio e pênis fruta-corpo adentrando e adentrando amores pensos aos pensamentos das maçãs que prismam sacos plásticos para a cobertura do bolo de chocolate com recheio de ferrugens de adentadas e adensadas decisões turbulentas truculentas contorcendo os rios vários dos descampados sucos de melão saindo da cloaca prazer da abertura de dicionários vistosos envolvendo crinas azuis de peixes presos em blusas caindo maduras de céus fructvícuos por guardarem-se apalpadas por outros olhares não os sendo mangas maduras saindo de bois pobres e porcos pedrentos mastigando pastilhas de hortelã para melhorarem o discurso fechado das árvores de amoras vermelhas das páginas dos aviões subterrâneos alagados dentro das casas dos pássaros que festejam a feijoada de abóbora feita pelos sapos que solavancam jaburus asfaltados em amores que se confundem em frente e em bundas de tartarugas abrasando seixos em postas de amores que se ajuntam em vácuos sonhos sãos em razão de aturdido sentimento igual desrazão de razão amores que se comem aos muitos amores etéreos eternizam radicais livres


é bosta de boi isso não vou comprar bosta de boi
como se fosse verdade esse é o melhor que tá tendo cê sabe
tô brincano cara esse racha
vinte e cinco
compra uma cinqüênteira
quero uma de vinte cinco


o senhor me auxilia na locação de um filme
sim senhora qual tipo de filme você queria algum em especial
deixa eu ver filme brasileiro sem ser pornochanchada na verdade é pro meu marido eu não sei bem do que ele gosta
ah minha senhora o professor deixa ver o último filme que ele pegou bem filme brasileiro tem um aqui que ele tava afim de ver e não havia chegado na locadora ainda duuuu roberto santos
roberto santos nunca ouvi falar qual o nome do filme
bem deixa ver o nome é as três mortes de solano
o nome não é bom
não vi o filme ainda mas dizem que é muito bom leva ele se não gostar não precisa pagar

reorganizo meu pensamento não será do coração o amor por ti meu não será de um órgão já não mais vital troco-o como troco um rim como retiro um pulmão igualmente como é a transfusão de sangue me é vital e será meu sempre e eternamente para que eu me seja único o cérebro já não quero seu coração e sim o que está aí guardado aí de onde vem todo o seu sentimento de onde surgem todas as sensações de seu corpo não quero o órgão que bate simplesmente quero o intransferível todo o corpo é descartado transformado não quero o corpo apenas que este malhado é vigoroso sedentário frouxo e há beleza em todos mas o que quero é a construção do que é em ti vital para mim a beleza vital para mim algo que flutua sorrateiramente não quero sua alma se é que há não quero seus pertences algum eu tenho eu quero o que se ergue em movimento revolucionário o que emite ondas de consciência não quero apenas o corpo que caga e mija isso eu tenho e faço também e todos temos e fazemos eu quero a essência o que está aí incompreendido
porém diante do exposto não suporei os limites do que penso tão rarefeito é o ar em altitudes tão elevado é o pensamento levanto-me da cama preguiçosamente o céu está claro e faz sol dia quente nos trópicos olho sua foto me vem de súbito um mutismo metálico uma sensação agônica apenas a face julga sobrancelhas truncadas boca travada atravesso a afonso pena os sinais de trânsito para pedestres foram suspensos em altura superior aos dois metros e meio aconteceram vários furtos dos materiais que compõem os semáforos de pedestres a solução da administração da bhtrans foi suspendê-los causa estranhamento não encontrá-los à altura usualmente antiga caminho em direção ao palácio das artes assistir ao il guarani politicamente correta peça musical na bagagem levo trezentos ml de boa cana para acalmar-me durante as horas assentado e também acomodar-me em sensibilidade tamanha é minha ira em desacordo com condicionamentos da cultura nacional engessada em moldes provincianos ainda incapazes de discernir conscientemente canelas de babelas de bagatelas de cumeeiras em meu primeiro gole de cana lembro de algo que mainard que se acha e se acha por se achar e por se perder perdeu-se ao dizer de maneira um tanto discriminatória sobre a tradução que o houaiss fez d ulisses de joyce puta que pariu se eu estiver mentindo alguém que assiste ao manhatãconection e grava todos os programas pode me auxiliar na data do pronunciamento de ele que fez porém diante do exposto não suporei a verdade mas aquela tradução poderia ser até atualizada pobre mainard queria muito ver uma tradução dele para o português qualquer uma ao zé dirceu vai meu segundo gole-repulsivo a representação do teatro é boa a encenação é razoável mas falta a nudez brasilina das personas nus de dentro pra fora a obra de gomes é garantidamente do nível das europeias mas falta um suingue nosso amanhã o zé dirceu declara sua mentirada em tv pobre pt mas foi importante pra nós gatinhando na política como estamos é bom aprendermos que pagar a dívida mundial é fácil difícil é manter congressistas e deputados em seus saio do palácio das artes deparo-me estando na rua do cafanjo esfrego os olhos e é a rua bahia a cana acabou fumei para relaxar e o céu está verde e faz frio fecho as janelas da porta e o quarto está azul e faz cinzas na praça da liberdade o centro da cidade revitalizado prédios necessitam ser revitalizados o centro é sujo logo o povo é sujo o professor do Estado não recebe aumento desde de mil novecentos e oitenta e seis salvo juízo o teto que o professor recebe é de 120 contos menos da metade do mínimo necessário o centro é sujo logo o povo não está instruído a família maresguia brinca de off roud com caríssimos land rouveres e eu reclamando do preço dos alimentos do preço para publicação dividam melhor essa merda camelôs apanham de policiais em frente à galeria d’ouvidor vereador e deputado são apanhados com 10 caixas cheias de dinheiro saindo de um avião no aeroporto da pampulha a polícia federal não fez nada compro uma puta por cinqüenta conto e a levo saio do puteiro e parece que estou em frente ao bar do vicente próximo ao ginásio escola estadual dr. mariano da rocha rua da vargem esfrego as vistas e deparo-me em frente ao pátio savassi a puta me carrega entramos num taxi como e chupo a puta o taxista entra na jogada como o taxista juntamente é bosta de uma no cu do outro a sociedade faz tudo por dinheiro pago trinta contos ao taxista saio do taxi e o sol está forte compro mais cana a preço de 20 contos um absurdo abuso da sensualidade da balconista caminho subo a tupis até o shopping vou ao banheiro cago numa sacola e a deixo em uma cadeira da praça de alimentação o cheiro é humano mas nem todos gostam a praça de alimentação se esvazia rapidamente deixo a sacola ali e vou em direção ao mercado central deparo-me com uma senhora nua em plena av. augusto de lima bêbada suja fedendo porém o mercado central é o mercado central e do exposto não suporei nada ergo a cabeça e é rua antônio de albuquerque savassi centro da savassi e sua gente bonita e limpa linda é a savassi e os cafés e a cerva entro na santa rita durão e tomo um gole da cana o sol está forte ainda mais e de súbito estou na praça da assembléia a carlos chagas e encontro herculano lopes ali compondo mais uma crônica pro estado de minas lúcio e caminhante e cumprimento-o e sigo em mais um gole saio alvarenga peixoto atravesso a bárbara heliodora mais um gole da cana e percebo o cheiro forte e viril da são paulo com guaicurus e ali paro finco-me levanto-me da cama silenciosamente abro uma porta do meu guarda-roupas tomo um gole aperitivo de vinho rasgo o jornal e o jogo pela janela limpo uma das narinas que está escorrendo tomo mais um gole de vinho arroto para todos os passantes como um pedaço de queijo rabisco um palavrão na parede do quarto quebro a lâmpada e engulo alguns cacos de vidro ao lembrar-me das decepcionantes investidas do pt ó coisa ruim logo o pt deito-me novamente e o céu morno fructivícuo está


não não ela não matou a mãe não não ela não matou a mãe não acredito ela não matou a mãe impossível ela não matou a mãe o que a faria matar a mãe não pode não acredito impossível alguém matar a própria mãe não mesmo não não não não não não não acredito tenho que achar a polícia não a polícia não sim eu tenho que chamar a polícia não a polícia vai saber quem sou não tenho que chamar os bombeiros isso os bombeiros sim ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô sim os bombeiros ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ sim senhor é minha mulher matou a própria mãe a própria mãe a própria mãe a própria mãe ela a jogou na lagoa da pampulha lagoa da pampulha lagoa da pampulha se os senhores correrem vão conseguir achar foi ontem à noite ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô branca branca branca leone leone leone brancaleone branca branca branca leone leone leone brancaleone achem o corpo achem o corpo o corpo dela deve estar lá sim procurem o corpo dela os peixes as garças a igreja restaurada o fedor a lagoa cooorrrrrrrrramaaaaamamm os senhores acharão o corpo ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô como está quente agora jefferson vezes dirceu amanhã às quinze horas ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô a polícia a polícia não não não batam em mim não batam senhor policial não tenho nada não tenho nada cala a boca moleque vou comer o cu de um policial um dia sedeusquiser a menos que a corporação mude a conduta auxiliem os humildes vou comer o cu de um policial um dia eu não vou comer o cu de um policial quem vai comer é um jumento comer o cu de um policial um dia não sujarei meu pau com bosta não apenas o de um policial também de um prefeito vereador deputado senador presidente da república advogado juiz o jumento comerá quarenta cm no cu desses caras seria bom para o país ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô eu coisa chinfrim sou o plágio de tudo o que já foi dito escrito cantado pintado pensado e lido acendo um cigarro sinto uma dor nas pernas como doem eu que nunca tive nada agora é essa dor nas pernas minha mulher nunca mais a quero nunca mais a verei o amor é capaz de destruir deformar pessoas pessoas em seres repulsivos transformá-las seres sombrios azedos incrédulos abjetos nojentos enodoados cheios de torpor o amor se é que é corro para o lado oposto desço para sempre ao orco são visões tantas e miseráveis as visões que tenho e dizem ele possui problemas neurológicos minhas pernas doem dizem os putos eu não tenho nada sou são e é vão o questionamento sinto apenas dores nas pernas quero morrer apenas uma vez não duas ou/nem solano quero morrer por estar vivo quero estar vivo e poder morrer mas será que eu quero morrer claro que quero morrer e morrer sorrindo sem dores ou dormindo sem tombos ou quedas quero morrer e pronto mas não abruptamente quero me preparar vestir-me num pijama novo num colchão novo cobertas novas não não quero o mesmo pijama que me acompanha a anos o colchão também o quero o velho já acostumado conmigo com minhas dobras minhas cobertas também as quero as que tenho meu cheiro em elas está minhas aventuras meus desajustes não vou mudar nada quero-me também como estou ou como estarei se não estiver assim como estou estarei vivido mais mais experiente mais carregado de tempo de desesperança com o tempo perdemos a vivacidade dos sonhos utópicos impeachment do lula falta perna para tanto minhas pernas doem faz sol o dia está quente não gosto de dias quentes nem de dias frios não gosto de gente nem de barulho não gosto de nada em verdade minto gosto talvez ou às vezes de mim quando não sinto dor ou não melancólico prefiro cosmogonias individuais subo as escadas para baixo subo ao orco que desço dessecarei meu corpo esse corpo que tem as pernas doentes ora estou bem ora fujo e não me enxergo não me vejo e quando tomo forma em mim estou todo cagado mijado e sempre tem alguém me limpando quase sempre timdom timdom a campainha toca ou não toca estou preso em mesmice


como está o paciente hoje
hoje ele está sem paciência nenhuma acordou cedo acordou bem pediu para ir ao banheiro é difícil ele pedir quase sempre ele acorda e já está feito mas começou o nervosismo quando ver as discussões da cpi entre jefferson vezes dirceu começou a gritar para cassarem os putas e impeachment impeachment do presidente e foi ficando nervoso e mais nervoso
entendo corte dele a tv a cabo e rádios de notícia política ou social
já fiz isso ele agora vai assistir apenas os filmes que eu gosto passei um filme para ele outro dia e ele ficou pior


morrer resposta não há morte há uma mudança outra forma outro sentido outra função húmus para outra vida morrer morrer há a grama sobre o corpo há o grilo há a rã há o homem há o verme há o mineral o lula dizer que não fará como getúlio nem como jânio nem como éééé não me lembro mas seria muito sincero da parte dele mais ético ele que foi o homem que perseverou a retirada do collor o pt é o partido da esquerda radical tudo começou a ruir com a saída de Luiza Helena e outros que são sim radicais não adianta o frei beto dar desculpas em jornal mineiro seremos o país sempre o país do bom ladrão roubaram mesmo roubaram dos cofres públicos e devem ser afastados do cargo político agiram de má fé se não faz como um herói solitário e essa é a imagem do lula hoje o mito trabalhador de gente mentirosa eu me canso e me calo e mesmo calado o peito resta a cuca dos bêbados


ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô acharam o corpo eu sinto que acharam o corpo dela eu sei que acharam o corpo tô vendo que acharam o corpo e será a verdade do eunuco branco o homem ético que através de seu conhecimento julgará o motivo do falecimento instruído das práticas vividas estudos e especializações aliás o veredicto veredictum veredictae foi suicídio seguido de afogamento branca branca branca leone leone leone brancaleone ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô tudo corre para uma terra pedregosa e sem vida áspera e sem brio é o povo relapso e sem ordem e sem progresso o país do lula tá muito pior que o país do fernando henrique quero ver quem vai salvar a economia a burra democracia mas estamos engatinhando ainda e vamos andar em breve e vamos votar em breve porque até agora apenas elegemos os caras que a mídia faz tanto que o duda mendonça está envolvido tanto que o marcos valério está envolvido propaganda mídia esses troços enquanto existir a compra de votos não haverá democracia e sim apenas o demo esses caras estão aplicando a contravenção do senhor João deficiente físico de um dos membros superiores


vão sepultar o pai e a mãe juntos não entendo essa mulher porque me persegue tanto filha da puta não agüento mais essa coisa estranha vou matar essa mulher ninguém mata pai e mãe são uvas de orvalhos que aurificam gente morta aquela vaca de mulher vou atolá-la vou fazê-la sopa cagá-la depois de tantos anos negros ôéiô ôéiô ôéiô ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ estão chegando com o corpo da velha mesmo vou subir bahia vou descer floresta resta-me nada ainda nada resta-me vou atravessar o atlântico de barco a remo virando virando oceano áfrica-brasil eu quero ver quando zumbi chegar eu quero ver o que vai acontecer não existe mais a expedição com homens e homens e homens agora é o múltiplo unívoco do físico louco ao louco esplorador o pt foi ao topo e vai ao chão eu quero a cassação do presidente da república do banqueiro do homem ladrão quantos serão me sinto mal vou tomar um banho de cachaça ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô veredicto veredictum veredictae o velho será enterrado junto da velha que mela queria fumar um relaxante queria a bunda da carla para esfregar na cara eu não pensaria mais em nada seria bom morrer se morrer existisse eu vou fincar-me em estaca como um semimortocadáver ou quase vivo quasque morto subir serra e mãe eu vou mãe estou indo mãe ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ mãe estou indo mãe ÔÉIÔ ÔÉIÔ ÔÉIÔ tem gente subindo a escada cuidado saci cuidado cuca os disneys estão chegando cuidado com os japoneses violentos cuidado burro-falante cuidado cebolinha cuidado porque não é a mônica é a bruxula cuidado cascão com os super heróis invadindo o trópico dos trópicos

doutor ele parece que piorou esta semana fica gritando ôéiô ôéiô ôéiô ôéiô e bate palma diz montar num cavalo andaluz fica cantando e balançando a cabeça ao cantar branca branca branca leone leone leone brancaleone não sei o que faço quase que eu o amarrei à cama às vezes é ensurdecedor
isso parece som de ambulância e a memória dele como está
começou a falar repetidas vezes sobre assuntos de sua infância esqueceu meu nome umas duas vezes e agora a pouco cismou de cagar e quer de qualquer maneira comer as fezes
o quadro dele está agravando
o senhor não acha melhor interná-lo
acontece que se ele for internado ele vai sentir a falta da família de alguma forma apesar de esquecer várias coisas ele ainda sabe que aqui é a casa dele e o carinho da família pode ajudar para que não agrave mais e também é menos custoso mantê-lo em casa mas caso ele comece a ter surtos violentos aí não teremos outra opção mas por enquanto está tudo sobre controle quanto ao fato dele querer comer as próprias fezes isso é apenas uma regressão não podemos chamá-lo de louco tão pouco de doido ele irá se tornar criança até voltar ao grau zero vamos dizer assim o inconsciente tomará o consciente e é o que vem acontecendo com ele


aliás a vida dialética que é pode identificar a uma cana-de-açucar de boa safra que apanhada em tempo certo madura e extraída sua garapa doce e salivosa colhida entre junho e julho com ph entre 4,5 e 6 para que haja uma condução progressiva razoável porque a vida é progressiva e misturada ao fubá fermentando durante tempo exato para misturada em água se torne a boa cachaça com teor alcoólico entre 38 a 45, trinta e oito para um paladar mais sensível como são muitos e quarenta e cinco com o paladar mais acentuado e forte para os mais vigorosos pessoalmente eu gosto da cachaça que ao ser ingerida seu paladar seja o de cana pura sem mistura não armazenada em tonel aromático assim como deve ser a vida sem cheiro em demasia simples e que faz a cabeça porque viver é fazer a cabeça e de preferência uma cachaça mineira com tiragosto sangue de galinha frito ou um torresmo de porco ou carne de panela bem cozida ou queijo fresco ou aquele enchido de porco com recheio de sangue curado ao fogo o delicioso chouriço com algumas ervas e uma pimentinha ou ainda aquele fígado na chapa com cebola e giló e goles de cachaça e um forrozinho no terreiro e a família lembro-me da foto sobre a cômoda o tempo fecha viro o olhar para a parede queria poder ir ao infinito da felicidade mas como todo trem a felicidade vai e vem tomo sua foto pelas mãos rasgo-a


acenderei um único cigarro por fim manger l’herbe sur place somente menues branches zarandajas vettoni inutilité ja dore comer capim inútil ser como o gado pascendo apenas me querem confinado musculatura atrofiada anêmico ração pobre capim seco mais seis meses abate seis meses não pela quantidade de aparelho que introduzem em mim mas alguns dias estarei morto alguns dias não minha memória está uma merda respirando assim por aparelho como estou meus pulmões não suportarão três dias mas eu até preferiria a morte mesmo pé duro que sou as bolas pra fora daqui a um tempo morto não não tirem a ração senhor o bezerro já não mais se levanta está pronto esperem por favor muito fiz mas quero desfazer me dêem de comer de beber calçada embriagado ninguém tem pena deusdocéu eu acreditarei em ti irei aos cultos às missas aos encontros reunirei a família que tive que tenho que eu não queria mais mas quero meu deus esse bezerro amolado de ouro eu valho serei fiel serei seu não me deixe sozinho por favor senhor pra matar minha fome vá trabalhar diriam uns você fede diriam outros não o aceito neste estabelecimento imporiam ainda mas em sua casa minha educação minha crença sua fortaleza nosso calendário nossos costumes minha cultura ó bom deus se tu existisses assim eu ababelado assim acácio assim admoestador assim bouba assim cinomose assim dentrófobo assim ensoado assim socino assim eu legado negando negando o quê se nada há para ser negado sou assim amo o maior amor não me dêem nada me ergo me limpo saio desvio o pensamento sendo eu o teto do quarto escurecido perfaço todas as condições sensíveis do que sou no exato tempo eu conseguirei o que quero minha divindade me erguerá para a eternidade de mim confluo as tentativas perdidas com as acertadas prevejo o instante futuro minha respiração vai se esgotando diante da claridade evasiva de minha janela tento erguer minha perna e confesso que apenas os dedos dos pés movimentam-se perco força estou cansado queria adiar o sofrimento nada no mundo tira-me o sopro que resta serei inexpressível movimento os braços e as mãos mas apenas cãibras sinto várias pessoas em meu quarto aguardam meu retorno minha mãe como é bom o colo de minha mãe papai papai compra um cigarrete de chocolate pra mim é tão bom a casa de meus pais é tão boa a cama de meus pais ficar junto deles meu irmão corre atrás de mim corre atrás de minha irmã pega-pega corre sem fim toda vez que meus primos estão de férias na roça é bom porque não trabalhamos o dia inteiro papai libera a gente três horas da tarde pra gente brincar e papai mesmo faz o serviço que é meu que é tratar das galinhas e jogar a lavagem pros porcos papai sempre foi bom pra gente quando é férias ele era um homem muito elegante sempre de chapéu quebrado uma camisa de botão com dois botões abertos peito ao vento muito trabalhador e muito bonito elegante sempre com botas limpas é o que eu dizia mesmo ééé papai era um homem muito elegante com botão de camisa aberta o chapéu ao vento quebrado era muito bom pra mim e minha mãe era linda mamãe era linda sempre com o cabelo escovado ééé o que eu dizia mesmo de papai né papai era muito bonito mas minha mãe era linda muito linda e muito educada veio do rio de janeiro para cá meu pai era um homem muito rico nossa fazenda tinha muito café e nós brincávamos sempre meu irmão corria atrás de mim e de minha irmã e de meus primos que morriam de medo de andar no mato de noite morriam de medo de boi de cachorro de subir em árvore mas adoravam correr de dia ééé meu pai era muito elegante com chapéu quebrado era um homem muito bom todas essas mortes me deixaram pior essa mulher deveria morrer antes mas coração mole quem tem sou eu eu é que busco um sentido para viver e não consigo sair do lugar queria poder me divertir com meus filhos poder construir novamente outra família porque se eu caí uma vez e me levantei eu recomeço tudo de novo refaço todo o trajeto novamente o que será um novo trajeto sinto todo o peso do mundo por sobre meus ombros agora poderia eu ser mais feliz mas não consigo me mover desta cama escoriações em meu corpo mostram que não tenho mais o que fazer nesta vida se deitado a tanto tempo as escoriações é a podridão se alimentado de mim e eu vendo e sem poder fazer nada meus braços doem estas feridas ardem as enfermeiras me limpam mas minhas fezes vazam de mim sem eu sentir esse cheiro de merda e urina esse cheiro de sujeira política esse cheiro de desamor humano fumarei até a morte morrerei fumando morrer é a beleza da insuficiência cardíaca morrer é a juventude traída não me venham com presentes de última hora não me tragam flores pro meu quarto não me enviem notícias do senado quero apenas fumar meu cigarro e se pudesse se eu pudesse e tivesse forçar eu queria gozar pela última vez gozaria feliz se pudesse mas meus sentidos minha sensibilidade minha felicidade tudo vai por soro e morfina morfina e soro minha merda fede o quarto todo se não posso ter outro prazer ao menos comer minhas fezes eu posso porque não porque sim estendo braço passo a mão na bunda ela está suja lambuzo a mão com merda mole encurto o braço passo a ponta da língua num dos meus dedos sujos se é de mim que sai essa merda fedida é porque sai de mim se a podridão me come a pele porque não posso comer minha merda engulo um punhado de merda de uma vez só meu paladar está confuso dou mais um trago no cigarro esfrego a mão de merda na minha cara não agüento mais essa situação o delírio o delírio se essa vida não vale mais se viver é isso essa angústia infinita pregar a cabeça no travesseiro e perceber que nada do que você fez hoje foi produtivo nada nada lhe foi autêntico nada nada nada lhe foi SUFICIENTEMENTE prazeroso e aí o trem não cala esse trem que existe dentro enfiado na gente esse trem gigantesco que se chama coisa esse trem sem trilhos esse trem sem rumo esse trem sem agora ou antes ou futuro esse trem que a gente é e que está dentro enfiado na gente vou sim vou viver como um cavalo sem dentes em capenga andadura não me é suficiente desfazer-me e não não dá mais prefiro abster-me prefiro abster-me do que fingir a felicidade para meus conhecidos prefiro abster-me das sensações pueris que estou fadado o quarto esta claro e faz sol um sol frio e úmido para um dia feliz e túmido para um quarto frio e sol para um trem claro e morno para um troço qualquer e frio para um dia pleno e ríspido para um trem qualquer

Teixeiras, Belo Horizonte 2002/2007